Música: 11 discos nacionais de 2013 para ouvir já

Para ouvir a entrevista e ver os links visite o site: http://agambiarra.com/

E não foi só a música gringa que alçou grandes vôos em 2013, não senhor. Em terras tupiniquins muito se viu de novidades e bandas que fizeram estreias colossais, deixando um belo (e árduo) caminho traçado para 2014. Àqueles que querem conhecer, reunimos aqui 11 discos (e uma exceção, mas é surpresa) para abrir a cabeça para a música nacional e independente.

Caso seja a sua onda, não perca tempo. É crucial dar a devida atenção aos festivais de música independente, espalhados aos montes pelo país. As coisas mais legais e interessantes nascem ali. Vamos à lista – textos escritos pelos colunistas Raul Majadas, Gabriel Mota, Cainã Vidor e Angelo Malka.

1) As Plantas que Curam – Boogarins

Parece que a referência aos clássicos sucessos nacionais de outrora tem surtido efeito. Pelo menos é um viés que o Boogarins experimentou em 2013. Sorte de principiante pode ter ajudado a banda, que estourou lá fora ao mesmo tempo em que trilhava caminhos respeitosos aqui no Brasil. Lançando o EP “As Plantas Que Curam”, os goianos trouxeram basicamente referências a dois nomes específicos que têm cacife suficiente para dizer “eles são sim um sucesso”: trata-se de Os Mutantes e Tame Impala.

As faixas de “As Plantas” trazem um rock psicodélico nostálgico mas carregado de atitude e adequado aos dias atuais. É uma viagem psicodélica não muito vista nos dias de hoje, o que torna a necessidade de seguir o trabalho do Boogarinas ainda mais obrigatória. Confira aqui a entrevista que fizemos com os garotos.

2) Claridão – Silva

Em um ano em que a música estrangeira deu uma surra vergonhosa na brasileira, Silva surge como a luz no fim do túnel, para os que ainda acreditam que é possível renovar nossa MPB. Talentoso, antenado e sem medo de brincar com referências que vão do rock pós-punk à música eletrônica, esse jovem artista capixaba conseguiu, em seu álbum de estreia, manter a “fofura” que reina na sonoridade da música alternativa nacional desde que o Los Hermanos tornou-se banda de grandes plateias, sem, no entanto, limitar-se a ela, um mal que acomete artistas como Clarice Falcão, por exemplo.

Há, portanto, muito mais em “Claridão” do que a simpatia ligeira, mas esquecível, de “A Visita”: há canções realmente muito boas, que demonstram talento, pesquisa, lirismo. É o caso das lindas “Mais Cedo” e “2012″.

Silva, apesar da juventude, parece saber exatamente o que fazer para, mesmo com fofura, dar dimensões mais profundas para a nova música brasileira. Ele não está sozinho: Filipe Catto, Tiago Iorc e Cícero são nomes a observar. Resta ver o que vem pela frente. Aguardamos ansiosamente.

3) Vamos pro Quarto – Cérebro Eletrônico

A banda já tem história, mas depois de três anos conseguiu provar porque se diferencia tanto da nova leva de artistas nacionais: Cérebro acertou em cheio com Vamos Pro Quarto, disco que traz elementos sonoros comparados aos Novos Baianos ou à áurea fase experimentalista de Os Mutantes. É certo que não chega a ser algo extremamente experimental, mas resgata no ponto certo aquele delicioso nacionalismo de outrora, com roupagem moderna que nos enche de orgulho. Leve, viciante e recheado de amor preguiçoso. Fica impossível não se inebriar com o retorno do grupo.

Pra resumir bem sem enrolar: lisérgico, urbano, experimental e genial.

4) Stereochrome – Far From Alaska

Do Rio Grande do Norte vem uma das maiores surpresas do ano: lançado em dezembro, o EP “Stereochrome” despertou os ouvidos de muita gente. O sucesso se deu depois que o grupo venceu o concurso Som Para Todos e abriu o Planeta Terra de 2013.

Arrancando elogios constantes da vocalista e líder do Garbage, Shirley Manson, o bom e velho rock ganhou representatividade nas mãos do grupo e serviu de apoio para a iniciante carreira ganhar fôlego e respeito da mídia especializada. Que mais e mais de Far From Alaska chegue!

5) Audac – Audac

Os curitibanos tiveram uma sorte grande: caíram no gosto de Gordon Raphael, responsável por descobrir nada menos que The Strokes no longínquo ano de 2000. As referências ao trip hop, eletrônica e rock criam uma mistura gostosa de se ouvir. E o padrinho, que sabe bem o que faz, tratou de colocar a banda no trilho certo, ajudando o grupo a ter poder de fazer sucesso em qualquer canto do mundo.

O resultado? Um disco de estreia homônimo que nos faz ter orgulho dos jovens talentos nacionais que muitas vezes estão escondidos em algum canto do país.

6) Rio Shock EP – Rio Shock

O maior nome nacional de funk-mashup entrou na onda de uma tendência que promete fazer ainda mais sucesso em 2014. O Future Garage ganhou representatividade verde e amarela nas mãos de João e seus comparsas. O EP “Rio Shock” traz a mistura de timbres clássicos do house dos anos 90, pop e o bom e velho funk melódico.

Bem, tudo em que João Brasil bota a mão vira ouro e com este EP não é diferente. As criações atingem em cheio os gringos cada vez mais curiosos sobre a sonoridade alegre e escrachada dos brasileiros. Música para exportação. É assim que Rio Shock consegue figurar entre as mais respeitadas apostas para o ano de 2014.

7) Worker – Cambriana

Este ano foi um ano importante para Cambriana. Ainda colhendo os sucessos de “House Of Tolerance”, a banda lançou o EP Worker e provou para meio mundo de uma vez por todas que é possível fazer um pop-rock de extremo bom gosto cantado em inglês aqui, em terras tupiniquins.

A qualidade continua a mesma do primeiro disco e o reconhecimento veio com o que muitos artistas almejam: a banda teve uma de suas faixas escolhidas para a trilha sonora de Além do Horizonte, novela da Rede Globo. Isso rendeu respeito e vários convites para festivais por todo o Brasil.

8) Zeski – Tiago Iorc

A música nacional merece destaque na lista dos melhores de 2013. Tiago Iorc ainda não é tão conhecido. Mas isso é questão de tempo. Com uma carreira que teve muita ajuda da TV (suas músicas têm entrado facilmente na trilha-sonora de várias novelas), Tiago deu um ótimo passo adiante quando resolveu não cantar apenas em inglês. Zeski é a prova disso.

De quebra, conseguiu a participação especial de Maria Gadú, que acabou ficando menos chata dividindo os vocais com Iorc em Música Inédita. E de quebra de novo, deixou Tempo Perdido (sucesso da Legião Urbana) ouvível, sem parecer uma daquelas inúmeras homenagens maçantes que sempre temos por aí.

9) Cavalo – Rodrigo Amarante

É silêncio, tarde na praia, noite de chuva. Amarante não oscila, e, na minha humilde opinião, no seu primeiro álbum solo, apresenta com tranquilidade algumas sensações que já havia esboçado no “4”, último disco dos Hermanos.

Dessa vez, parece menos perturbado, menos inquieto. Talvez tenham faltado algumas doses de cachaça. Ainda assim, lindo sem ser monótono. Cavalo é pra quem sabe conviver consigo mesmo, mesmo que às vezes não seja tão saudável.

10) Bianca

Apesar de ainda não ter disco gravado, essa lista ficaria incompleta sem Bianca. Para os desavisados, a sensação é que Regina Spektor lançou coisas novas em 2013. Mas na verdade não passa de Bianca. A comparação é inevitável e logo deixa de ser maléfica. Bianca surgiu em meio a muita coisa nova de terras brasileiras e logo caiu no gosto do público especializado em separar joio do trigo. A carioca adora Rita Lee, e Cazuza, mas se inspira também em Bon Iver na hora de criar suas canções.

O nome simples, e apenas isso, além das faixas em inglês – pode deixar tudo ainda mais relacionado a alguma cantora internacional. Isso deixa o trabalho ainda mais surpreendente, principalmente quando converte haters de brasileiras cantando em inglês em fãs apaixonados.

11) Baile Desgraça – Daniel Belleza e os Corações em Fúria

E para aqueles que estão saudosos de um bom rock feito no coração do estado de São Paulo, aí vai. Daniel Belleza e sua trupe de roqueiros vieram em 2013 olhando para você e jogando um dedo do meio na cara de quem diz que o rock paulista está na merda.
Não que a coisa esteja realmente assim tão boa. Ou um pouquinho boa. Enquanto tivermos uns caras como Daniel, os corações furiosos poderão se acalmar. E que o baile venha abaixo!

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