20 Álbuns de 2013 parte 1

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A primeira semana de 2014 se encerra e quase todas as listas dos «melhores» de todos os tipos saíram em revistas, jornais, blogs e sites mais ou menos especializados. Sempre prezei chamar esta enumeração de « favoritos», pois seria bastante pretensioso afirmar que eu vi tudo e escutei tudo, longe disso… Do mesmo modo, é difícil avaliar um álbum que chega nas nossas mãos no final de dezembro, enquanto escutamos um outro há alguns meses. E pode mesmo ser que, nesse meio tempo, cansemos deste último, privilegiando a novidade […]

Enfim, devo ser honesto. A lista de «meus preferidos» não seria a mesma da que considero como os “melhores” do ano…

Existem álbuns importantes que só escutamos uma vez ou duas e, em seguida, aqueles que degustamos como guloseimas, mas que nunca farão história…

Em suma, é levando em conta esses dados que lhes proponho, durante este mês de janeiro (em paralelo com o programa rádio Tropicália MPB) 20 álbuns – subdivididos em 4 partes – que se encontram um pouco na intersecção de todas estas considerações…

CÉREBRO ELETRÔNICO: “Vamos pro quarto”

Quarto álbum para o grupo paulista liderado pelo agitador cultural da megalópole que é Tatá Aeroplano. “Vamos pro quarto!” exala perfumes psicodélicos, às vezes bucólicos, sem ser uma cópia pálida de um ambiente pós-hippie. As composições têm um formato de canção de 3 a 5 minutos e, alternam as passagens cantadas – frequentemente com frases repetitivas -, com longos momentos instrumentais, onde o rock e o funk possuem igualmente seus lugares. A voz de Tatá Aeroplano se destaca tanto nas atmosferas viajandonas (lembrando às vezes Secos e Molhados) quanto nas incisivas. Um álbum empolgante e decididamente contemporâneo.

ANDEI FURLAN: «Dia de casa»

Para muitos, o disco «pop» perfeito de 2013 é a obra de Marcelo Jeneci, com «De graça». Pode ser sim… Mas a estes, aconselharei amigavelmente de escutar com atenção «Dia de casa», o primeiro álbum de Andrei Furlan, compositor e saxofonista oriundo de Ribeirão Preto (SP), produzido por Gustavo Ruiz (Tulipa, Trupe Chá de Boldo). Furlan executa um «sem falhas» com um álbum sem tempos mortos, que contém dez composições irresistíveis (entre as quais o excelente Olhos do tempo!), que flertam, às vezes, com uma sonoridade dos anos 80 através dos seus teclados, mas que se banha em um espírito e arranjos totalmente contemporâneos. Uma das belas surpresas de 2013…

ANDREIA DIAS: «Pelos Trópicos»

Para seu terceiro álbum solo, «Pelos Trópicos», Andreia Dias decidiu realizar um circuito em diversas capitais brasileiras – principalmente do Nordeste – para nelas gravar canções impregnadas dos ritmos de cada região, acompanhada por convidados locais. Pela forte personalidade de sua interpretação e a qualidade de seus textos que existiam em seus precedentes «Volume 1» (2007) e «Volume 2» (2010), Andréia consegue dar uma bela coesão a este mosaico de canções. Difícil ser mais eloqüente do que o título e a capa do disco: «Pelos trópicos» é um álbum exuberante que esparrama tantas cores e perfumes quanto os frutos do chapéu de Carmem Miranda, a quem Andréia se refere, frequentemente, durante os seus shows…

APANHADOR SÓ: “Antes que tu conte outra”

Para este segundo disco, «Antes que tu conte outra»,parece que os quatros rapazes de Apanhador Só (Rio Grande do Sul) se puseram a compor canções no violão acústico, antes de descontruí-las com a ajuda de uma infinidade de achados sonoros: utilização de efeitos sonoros, distorções, breaks e alternâncias contínuas de ritmos e temas no seio propriamente dito da composição.

O conjunto forma um patchwork apaixonante, e sentimos esta estranha sensação paradoxal de escutar uma obra acústica particularmente elétrica, ou vice-versa!

CACÁ MACHADO: “Eslavosamba”

Na data do dia 14 de agosto de 2013, será possível encontrar uma resenha detalhada da menina dos meus olhos do ano passado: “Eslavosamba” de Cacá Machado…

Dela extraí algumas linhas…

«…Machado demonstra que o samba não está, necessariamente, confinado nos quintais e nos morros, e que ele pode ser concebido por um espírito urbano e intelectual, sem, no entanto, cair na armadilha do hermetismo. A base do álbum é o samba, mas ele integra aqui muitos outros ritmos ou elementos que, na consciência coletiva, não estão, geralmente, a ele associados…

“…Uma constatação é evidente ao lermos os nomes dos inúmeros convidados do álbum: Cacá Machado quis integrar o erudito ao popular, misturar o elétrico e o acústico, e reunir a velha e a nova geração (da vanguarda) paulista. Tudo isso resulta em uma perfeita harmonia, diria mesmo, em uma espécie de álbum conceitual, que incorpora a cultura eslava às raízes brasileiras, como sugere a vinheta «pagode polaco».

«Eslavosamba» é na verdade um álbum muito accessível e emocionante cuja sofisticação está a serviço de uma incansável curiosidade do ouvinte.

à seguir…

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