Hermeto Pascoal e o Calendário do Som

Em Calendário do Som, o músico reúne as 366 composições que escreveu, no período de um ano, com o intuito de homenagear todos os aniversariantes do mundo
Com um show na companhia da Orquestra Popular de Câmara, o compositor e multiinstrumentista Hermeto Pascoal lança e autografa nesta sexta-feira, dia 1º , na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, o livro Calendário do Som. A obra reúne 366 partituras de composições do músico alagoano, escritas durante o período de 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, além de uma breve biografia escrita pelo jornalista e pesquisador Sérgio Cabral.

“Eu queria, humildemente, homenagear através da música todos os aniversariantes do mundo”, explica Hermeto, que ao completar 60 anos decidiu passar um ano compondo uma música por dia. Além dessas partituras, o livro reproduz também anotações e desenhos do autor, relacionados com cada uma das composições. “Não tive essa intenção, mas o livro acabou virando um diário”, reconhece o músico alagoano, dizendo que pretende com essa obra desmistificar o ato da composição. “O que eu quis mostrar é que para compor não tem dificuldade. Comparo isso ao pintor que vai para uma praça e pinta um monte de quadros. Eu poderia ir para uma praça também e ficar fazendo uma música atrás da outra. Não é difícil. Só depende da pessoa.”

As anotações de Hermeto permitem até para o leitor que não domina a escrita musical entender um pouco do processo criativo desse gênio da música instrumental. “Comi um camarão com peixe e o estômago não aceitou, mas o som cura a dor, que virou música”, ele observa, indicando a relação íntima entre seu cotidiano e a música que escreve. Nomes de outros artistas e músicos admirados por Hermeto também são frequentes em suas notas. “Quando compus esta música pensei bastante no maravilhoso Dominguinhos, sanfoneiro, compositor e cantor; parecia que eu estava viajando com ele naquela estrada de Garanhuns indo para a Lagoa da Canoa”, revela o compositor.

Calendário do Som /Hermeto Pascoal -São Paulo:Editora SENAC São Paulo:Instituto Cultural Itaú, 2000
http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/hermeto-pascoal-lanca-livro-de-partituras

Review: Ed Motta – AOR (2013)

Um álbum pra ser ouvido no toca-fitas, passeando de carro pela ensolarada U.S. Route 101 na Califórnia, tomando um keep cooler, e usando uma camisa florida como a do Magnum P.I.
Assim é o clima que Ed Motta pretende criar no ouvinte que apreciar seu mais recente disco, AOR (Dwitza Music / LAB 344). Um álbum totalmente focado na linguagem musical AOR Westcoast, que invadiu as rádios FM no final dos anos 70 e no começo dos 80.
Steely Dan, Pages, Doobie Brothers, Todd Rundgren, Ned Doheny, Eric Tagg, Airplay, Boz Scaggs, Christopher Cross e Chicago são alguns nomes importantes que permearam e nortearam a ótica de Ed para este novo trabalho, o primeiro a ser lançado por sua própria editora musical, Dwitza Music, e distribuído em parceria com a gravadora LAB 344.

Muitas surpresas advém deste novo disco. Uma delas é que o disco foi gravado em duas versões: uma quase toda em português (com letras de Rita Lee, Adriana Calcanhoto, Edna Lopes, Chico Amaral, Dante Spinetta e o próprio Ed Motta), e outro em inglês, com letras de Rob Gallagher. O disco em português foi lançado apenas no Brasil e a versão em inglês no resto do mundo.

Outra surpresa é o time ultra-qualificado de músicos convidados. Além da banda base, que consiste em Robinho Tavares no baixo, Sérgio Melo na bateria e Glauton Campello nos pianos e teclados, o disco tem o mestre David T. Walker na guitarra, além de Bluey do Incognito, Torcuato Mariano, Chico Pinheiro, Jota Moraes, Jessé Sadoc (arranjador de metais de todas as faixas), o sempre e fiel escudeiro de Ed, Paulinho Guitarra, e muito mais.

A veia soul e a paixão jazzística pelas harmonias que são características de Ed Motta encontraram abrigo perfeito nessa nova empreitada, visto que todas as músicas exalam um apuro técnico, uma qualidade de composíção/arranjo/gravação lapidada até seu estágio mais avançado, culminando num néctar musical sofisticado e ao mesmo tempo atraente, do ponto de vista popular. AOR é a pop music servida em taça dourada.

Faixa a faixa:

Flores da Vida Real – possui uma progressão inicial de acordes (mesma do refrão) que serve como um crachá do estilo Westcoast. O arranjo de metais de Jessé Sadoc evoca os melhores tempos d’As Segundas Intenções do Manual Prático. O solo de sax é feito pelo autor da letra, Chico Amaral, e o solo de guitarra é de Torcuato Mariano.

S.O.S. Amor – a parceria Ed Motta/Rita Lee rende um novo fruto. Com cara de single, a música une a beleza das canções de Rita & Roberto com a meticulosidade do Steely Dan. A bateria de Sergio Melo evoca o estilo funky laid back de Bernard Purdie. Solo de guitarra classudo do mestre Paulinho Guitarra. E o piano de Glauton Campello é a cereja do bolo.

Epísódio – Aqui a coisa fica ainda mais séria. No melhor estilo Jay Graydon, a intro dobrada de guitarras de Paulinho Guitarra flerta com o AOR mais Rock, enquanto que os violões de Vinícius Rosa fornecem a calma ao tema. O quarteto de metais (Aldivas Ayres, Sadoc, Marcelo Martins e Zé Canuto) semeia um riquíssimo arranjo por toda a canção. E a letra cifrada de Edna Lopes parece ser um recado para alguém.

Ondas Sonoras – O renomado e lendário guitarrista David T. Walker contribui com estilo e finesse para a rica música de Ed, cuja linda linha de baixo de Robinho remete diretamente a Boz Scaggs. Ed cria brilhantes vocais de apoio, além de tocar clavinet e percussão.

Marta – Além de ser a mais funk do disco (dá-lhe Robinho Tavares no groove do baixo), ‘Marta’ reflete a paixão de Ed por narrativas de HQ, seguindo a linha de ‘Nicole versus Cheng’, do disco Piquenique. Ambas são de autoria de sua esposa Edna Lopes. Além do tempero irresistível de Robinho, Glauton Campello dá show no piano acústico e no belo solo de Rhodes. E não podemos esquecer que Bluey do Incognito está pilotando a guitarra!

1978 – Outra com letra de Edna, esta foi a primeira música apresentada por Ed Motta ao grande público. Ed dobra a linha de baixo de Robinho com seu clavinet. O destaque é o flugelhorn e trompete de Jessé Sadoc (o interlúdio de metais é divino), o Rhodes de Campello e o absurdamente bonito solo de guitarra fusion de Chico Pinheiro.

Latido – Com seu arranjo de metais que remetem à fase Aystelum, é uma prova de amor de Ed para com a Argentina, o Chile e nuestros hermanos latinos que tanto o amam. Traz Dante Spineta (letra e narração), filho do falecido Spinetta, cuja música Ed tanto aprecia.
É a única do disco que quase cai fora do escaninho AOR, flertando com o spiritual jazz, o latin jazz e o funk. Mas claro, vestida e arranjada de acordo com a estética do disco. O requintado vibrafone de Jota Moraes e os pianos elétricos de Campello colaboram para o clima jazzístico. A síncopa do ritmo é envolvente, do começo ao fim do tema.

AOR – A vinheta que dá nome ao disco. Toda gravada e tocada por Ed, a letra é quase uma oração ao estilo Westcoast, além de servir para informar aos incautos como pronunciar corretamente o nome do estilo!

A Engrenagem – Desde já, minha favorita. O Rhodes de Ed é a tônica do tema, um AOR quase progressivo, e o solo de Vinícius Rosa na guitarra sedimenta o clima complexo. O magnífico solo de teclado de Rannieri Oliveira, cheio de modulações no tom, lembra o clima da música Aja, com a bateria de Sergio Melo quebrando tudo. Amazing!
E a letra, de autoria do próprio Ed Motta, parece trazer um recado implícito, um aviso, uma verdade.

Mais do que eu sei – Música que não consta do CD (só é vendida pelo iTunes) carrega influências do dito AOR Hard Rock. E ao mesmo tempo, traz reminiscências da balada do disco Piquenique, ‘Carência no Frio’, principalmente por causa dos violões. Mas as inéditas guitarras pesadas injetam frescor à música de Ed. E o belo solo de guitarra, todo harmonizado? Caberia tranquila em algum disco do Toto ou do Foreigner. A preferida de minha esposa.

Resumo: Discaço! A única crítica negativa a se fazer é que o álbum é muito curto, pois música deste nível é desejável de se ouvir muito, e sempre. Mas não tem como não dar 5 estrelas. Obrigado, Ed, por nos permitir ouvir sua fabulosa música.

Marcelo Donati, 1 de maio de 2013.

http://marcelodonati.blogspot.com.br/2013/05/ed-motta-aor-2013-um-review.html

Entrevista: Ed Motta traz seu AOR para Amsterdam

http://www.bailandesa.nl/blog/6885/entrevista-ed-motta/

Com ingressos esgotados, Ed Motta apresentou em Amsterdam o seu novo disco AOR. Conversamos no North Sea Jazz Club, logo após a passagem do som, sobre sua música, influências, manias e sobre o novo trabalho.

Esse foi um dos shows de músicos brasileiros onde mais vi holandeses na plateia. Isso explica o alcance da musicalidade de Ed Motta. A sua genialidade musical coexiste entre o universo das suas referências internacionais e a inevitável influência do seu país, se expressando num mix de soul, funk, jazz que atravessa fronteiras.

Nesse projeto, Motta toma certa distância do funk, e traz um som polido, com jeito de pop sofisticado e mais adulto – o Adult Oriented Rock ou Album Oriented Rock, para íntimos, AOR. O resultado é um disco em duas versões, uma em inglês e outra em português, com refinamento e leveza singulares.

Como você define AOR?
É um tipo de música que eu escutei desde sempre, misturado com outras descobertas. O gênero teve o seu ápice em 1975 até 1982, 83, mas esse tipo de música é vigente até hoje. É uma música que toca em rádio adulta. Um exemplo clássico é Thriller do Michael Jackson.

A sigla AOR não se restringe a rock, certo?
A sigla AOR é absolutamente abrangente. Nos EUA, eles usam outra sigla MOR, Middle of the Road, que é ainda mais abrangente. Aí, podemos incluir Carpenters, Beatles, Air Supply. E ainda existe um desdobramento West Coast AOR, que também não é exatamente rock. Estamos falando de músicos como Christopher Cross e Steely Dan.

Steely Dan é uma grande referência pra você?
A influência de Steely Dan na minha carreira não é só na parte musical, mas também na parte sônica. A preocupação sonora com o disco. O AOR é um disco muito artesanal. Foi gravado em casa; as bases num estúdio e todas as coberturas, outros instrumentos, voz e a mixagem toda em minha casa. Durou quase um ano, foi um disco bem trabalhoso.

Você é tão perfeccionista como o Donald Fagen?
Ah, sim doença total – risos.

Por que duas versões: uma em inglês e outra em português?
A língua é um ponto de dúvida sempre presente. No fundo, acho que a língua franca da minha música é o inglês, que tem uma sonoridade mais próxima das referências tive. Escutei muito mais esses discos do que discos em português. Ao mesmo tempo, o português faz parte do meu dia-a-dia. É a forma que eu sonho e traz o que tenho mais dentro de mim. O português mexe com o outro lado da emoção, que não é só música. Tem o peso de ser a língua que eu nasci falando. Gravo em inglês não por questões mercadológicas. Realmente acho que a minha música soa melhor, mas ao mesmo tempo gosto de cantar em português porque sempre levo um pouco da sonoridade das minhas referências. O legal é que as duas versões se espalham, mas continuam se encontrando por aí.

Ed Motta conta convidados mais do que especiais nas duas versões. Na versão em inglês, a lenda viva do fusion, David T Walker, Bluey do Incognito, Chico Pinheiro, Chico Amaral e grandes guitarristas como Torquato Mariano e Paulinho Guitarra. Também parcerias com letristas: Rob Gallagher, na versão em inglês e na versão em português, Rita Lee, Adriana Calcanhoto e a sua ex-mulher Edna Lopes.

Como sua música se diferencia, vai além das suas referências ?
A minha música comunga com duas coisas: um lado introspectivo de fazer e um lado totalmente extrovertido dos cantores do soul. É uma música de coração. Ela é toda pensadinha, mas não fica só no cerebral.

Carrego um cacoete natural de outras pessoas que já faziam isso no Brasil: Cassiano, meu tio Tim Maia, Sandra Sá, Lady Zu, Banda Black Rio e tantos outros. Todos eles têm um pé muito grande no que se fez de forma internacional e globalizada do que se entende de jazz, funk, soul, AOR. Acrescento um olhar sulamericano, brasileiro. A música da argentina me interessa muito. O Spinetta tem muita influência enorme na minha musica.

Você fala que esse é um disco muito artesanal. Como fica a transição pro palco?
Nós temos um tempo meio jazzistico de trabalho, vamos acertando as arestas enquanto tocamos. Também os tempos são outros. No começo da minha carreira, haviam os grandes selos. O ritmo e o orçamento eram outros. Havia tempo e orçamento para ensaiar Hoje em dia os shows não podem parar. E aí no meio de um show, você já começa a ensaiar o outro. Vamos passando as músicas durante os ensaios, até chegar “no ponto”.A desejada perfeição nunca chega, mas chega num ponto razoável.

Você é famoso por sua incrível coleção de LPs e por outras paixões como o vinho. Você vai a fundo nas coisas que gosta?
Tenho poucas manias, mas sempre tentei estudar com respeito e obsessão gigante. É natural, uma necessidade de vida, de estar sempre conhecendo uma coisa nova; é meio que uma gasolina e no final, também me engravida de música.

O que você tem ouvido? O que ainda lhe surpreende em termos de música?
O Lucas Arruda, do Espírito Santo lançou um disco agora na França. Ele é genial! Gosto também da Orquestra Rumpilezz, lá da Bahia. Letieres Leite é um mestre. Tenho vontade de fazer um projeto com eles. A Rumpilezz gravou uma música minha no primeiro disco e participei de vários shows. Aquela formação é absolutamente brilhante.

Quais são os músicos e bandas holandesas que você ouve?
Ah, são muitos. Desde as coisas de jazz como a cantora Rita Reys, o saxofonista Tony Vos e o pianista que era do Focus, o Thijs Van Lier e as bandas todas de rock Earth and Fire, Shocking Blue, Reality, Massada e tantos outros. Tem um disco mítico do AOR que foi feito aqui na Holanda nos 70. São os dois primeiros discos solo do Erik Tagg, lançado em 1975, Rendez-Vous. Só saiu na Holanda e foi feito aqui; um disco brilhante, maravilhoso, um verdadeiro clássico do AOR.

Após Amsterdam,Ed Motta seguiu com sua turnê internacional para Londres, Tóquio e México.

Ed Motta leva à Europa novo disco, inspirado em FM dos anos 1970

Em entrevista à DW Brasil, cantor e compositor carioca fala sobre nova fase musical: sem preocupação com pioneirismo. Motta se apresenta no Festival BeLaSound, em Berlim. Novo disco será lançado também em vinil.
Fazia muito tempo que Ed Motta, dono de uma das vozes mais potentes e versáteis do Brasil, não se apresentava no Velho Continente, e não apenas por conta da agenda lotada no Brasil. “Era por pânico de voo de longa distância, mesmo. Foram quase oito anos sem vir à Europa por causa desse medo. Já estou melhor agora, consigo entrar no avião, mas não quero dizer que estou curado, porque o pânico pode voltar”, diz Motta, que lançou há pouco o envolvente AOR, décimo-terceiro título de uma discografia densa, alternando hits que estouraram nas pistas de dança – como Manuel, Vamos Dançar e Já – com fases de inquietação estética e pouco apelo comercial.

A passagem pela Alemanha vai ter também alguns destaques do artista na capital. Um repertório que tem tudo para agradar aos fãs da discoteca norte-americana dos anos 1970 e 1980. Como bem disse Ed Motta em entrevista para a DW Brasil, uma música de alcance planetário, muitas vezes subestimada pelos críticos mais sisudos pelo enorme sucesso que teve quando nomes como Chicago, Doobie Brothers e Barry White sacudiam as rádios.

O título do disco, AOR, é um termo criado no meio fonográfico para designar a chamada música das rádios FM, abreviação em inglês de Adult-Oriented-Rock. O álbum foi lançado em duas versões: uma com as canções em português, com letras escritas por Rita Lee, Adriana Calcanhotto e Chico Amaral, e a outra em inglês.

DW Brasil: Seu novo disco reitera a sua opção por investir na sofisticação harmônica e em arranjos apurados. A sua sonoridade hoje seduz mais pela sutileza do que pelos beats irresistíveis de outrora. O Ed Motta quarentão ficou mais cerebral?

Ed Motta: (Risos) Esse disco é o reflexo de uma série de coisas que venho experimentando em música, digamos, nos últimos vinte anos. Vem desde a primeira trilha que fiz para o cinema, quando eu tinha dezoito anos, para o filme Leonora Down (1991). A partir daí, comecei a me aprofundar nos estudos da música. Gravei dois álbuns instrumentais, o Dwitza (2002) e o Aystelum (2005), fiz o musical 7 [com Cláudio Botelho e Charles Moeller], espetáculo que ficou em cartaz quase um ano no Rio de Janeiro e em São Paulo. Venho tentando o meu melhor dentro do que a vida vai me ensinando. Espero que quando eu tiver 60 anos, faça um disco melhor, que eu saiba mais música e tenha mais sabedoria de vida.
Por que você considera AOR um de seus trabalhos mais intrincados?

O Dwitza e o Aystelum são avantgarde, já o AOR é uma ode a uma música que eu sempre ouvi desde criança e que sempre me influenciou. Eu não procuro ser original com esse novo disco, nem pioneiro. O que quero é evidenciar algo que sempre existiu nas nossas vidas, esse tipo de música que toca em todas as rádios “adultas”, em todas as partes do mundo, como Christopher Cross cantando Sailing. Existe um tipo de olhar para essa música como se fosse algo descartável, mas não é. Há uma forma de se servir essa música com talheres de prata. Minha ideia foi colocar essa estética dentro desse editorial “jazzístico”, de alta precisão de estúdio, de arranjos etc.

Na versão em inglês do AOR, quase todas as letras foram feitas por Rob Gallagher. Como surgiu a parceria entre vocês?

Surgiu no meu disco Chapter 9, de 2008. O Rob Gallagher era da banda Galliano, uma das pioneiras do chamado acid-jazz, como a Jamiroquai. Aliás eu tenho vontade um dia de lançar as versões de Rob para as nossas músicas. Ele é um supercantor, que tem um timbre de voz como o de Scott Walker, meio David Bowie. Um dia eu quero lançar um The Rob Views of Mottas Songs.

O contato entre vocês durante a composição se deu pela internet?

Tanto com o Rob como com todos os parceiros no Brasil, foi tudo pela internet. Antes de haver internet, era via fax. Nunca me encontrei com ninguém para escrever música junto.

Nem na época da banda Conexão Japeri, no começo de sua carreira?

Nem naquele tempo. Eu sempre fui louco por estúdio, sou muito caseiro, um hermitão que vive ouvindo disco, lendo e vendo filmes, coisa de nerd mesmo. E eu me lembro que o primeiro dinheirinho que ganhei fazendo show, no Robin Hood Pub que havia no Alto da Boa Vista, no Rio, deu para comprar um gravador de seis canais pelo jornal Balcão (semanário de classificados). Aquilo foi uma revolução na minha vida. Isso em 1986, dois anos antes de sair nosso primeiro disco. Eu tinha 13, 14 anos.

Esse gravador me fez inclusive ficar mais gordo – eu sempre tive tendência à obesidade, porque ficava muito em casa, fazendo minhas fitas-demo. Esse foi um dos motivos para a Conexão Japeri acabar. Ela só durou um disco, porque eu já chegava com tudo absolutamente pronto. Depois eu percebi que não dava para ficar numa banda estando cada vez mais ligado aos meus trabalhos no estúdio. Esse meu disco novo foi todo gravado no meu estúdio profissional que tenho em casa. Um estúdio que o tempo me deu, graças a Deus.

O fã brasileiro encontra também o CD na versão em inglês para comprar nas lojas do Brasil?

Inicialmente só através de importação, mas estamos pensando em fazer uma edição deluxe no final do ano, com as duas versões do AOR. Isso seria um sonho.

Esse novo álbum sairá também em vinil?

Na Alemanha vai sair em vinil, sim, fabricado aqui mesmo. Já o vinil brasileiro foi fabricado na República Tcheca e é branco. Só lá que se faz vinil branco com qualidade. O vinil brasileiro vai virar raridade, pois a gente só mandou fazer 500 cópias. Assim que eu chegar de volta ao Brasil, vou divulgá-lo. A cada momento você tem que ter um assunto novo para o mercado que, mundialmente, está cada vez mais difícil para quem faz música de verdade. Seria injusto dizer que esse é um problema do Brasil. Viajo o mundo inteiro com a minha música e vejo o quanto se consome em péssima música.

O que você achou da coletânea que a gravadora norte-americana Luaka Bop lançou do teu tio Tim Maia nos Estados Unidos?

A única coisa triste nesse disco foi que omitiram o crédito de Paulinho Guitarra, que é autor de duas músicas do disco. Isso é um crime contra o direito autoral. É uma coletânea criminosa.

http://www.dw.de/ed-motta-leva-%C3%A0-europa-novo-disco-inspirado-em-fm-dos-anos-1970/a-16875773

Hermeto Pascoal

Nascido em Olho d´Água e criado em Lagoa da Canoa, na época município de Arapiraca, estado de Alagoas, em 22 de junho de 1936, Hermeto Pascoal é filho de Vergelina Eulália de Oliveira (dona Divina) e Pascoal José da Costa (seu Pascoal). Foi no seu alistamento militar que colocaram o pré nome de seu pai como seu sobrenome.

Os sons da natureza o fascinaram desde pequeno. A partir de um cano de mamona de “gerimum” (abóbora), fazia um pífano e ficava tocando para os passarinhos. Ao ir para a lagoa, passava horas tocando com a água. O que sobrava de material do seu avô ferreiro, ele pendurava num varal e ficava tirando sons. Até o 8 baixos de seu pai, de sete para oito anos, ele resolveu experimentar e não parou mais. Dessa forma, passou a tocar com seu irmão mais velho José Neto, em forrós e festas de casamento, revezando-se com ele no 8 baixos e no pandeiro.

Mudou-se para Recife em 1950, e foi para a Rádio Tamandaré. De lá, logo foi convidado, com a ajuda do Sivuca (sanfoneiro já de sucesso), para integrar a Rádio Jornal do Commercio, onde José Neto já estava. Formaram o trio “O Mundo Pegando Fogo” que pegou fogo mesmo já na primeira vez em que tocaram, pois, segundo Hermeto, ele e seu irmão estavam apenas começando a tocar sanfona, ou seja, eles só tocavam mesmo 8 baixos até então.

Porém, por não querer tocar pandeiro e sim sanfona, foi mandado para a Rádio Difusora de Caruaru, como refugo, pelo diretor da Rádio Jornal do Commercio, o qual disse-lhe que “não dava para música”. Ficou nessa rádio em torno de três anos. Quando Sivuca passou por lá, fez muitos elogios sobre o Hermeto ao diretor dessa rádio, o Luis Torres, e Hermeto, por conta disso, logo voltou para a Rádio Jornal do Commercio, em Pernambuco, ganhando o que havia pedido, a convite da mesma pessoa que o tinha mandado embora. Ali, em 1954, casou-se com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos: Jorge, Fabio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio. Foi nessa época também que descobriu o piano, a partir de um convite do guitarrista Heraldo do Monte, para tocar na Boate Delfim Verde. Dali, foi para João Pessoa, PB, onde ficou quase um ano tocando na Orquestra Tabajara, do maestro Gomes.

Em 1958, mudou-se para o Rio para tocar sanfona no Regional de Pernambuco do Pandeiro (na Rádio Mauá) e, em seguida, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos e, em seguida, no conjunto do Maestro Copinha (flautista e saxofonista), no Hotel Excelsior.

Atraído pelo mercado de trabalho, transferiu-se para São Paulo em 1961, tocando em diversas casas noturnas. Depois de um tempo, formou, juntamente com Papudinho no trompete, Edilson na bateria e Azeitona no baixo, o grupo SOM QUATRO. Foi aí que começou a tocar flauta. Com esse grupo gravou um lp. Em seguida, integrou o SAMBRASA TRIO, com Cleiber no baixo e Airto Moreira na bateria. No disco do Sambrasa Trio, Hermeto já registrou sua música “Coalhada”.

Com o florescimento dos programas musicais de TV, criaram o QUARTETO NOVO, em 1966, sendo Hermeto no piano e flauta, Heraldo do Monte na viola e guitarra, Théo de Barros no baixo e violão e Airto Moreira na bateria e percussão. O grupo inovou com sua sonoridade refinada e riqueza harmônica, participando dos melhores festivais de música e programas da TV Record, representando o melhor da nossa música. Nessa época, venceram um dos festivais com “Ponteio”, de Edu Lobo. Além disso, Hermeto ganhou várias vezes como arranjador. No ano seguinte gravou o LP QUARTETO NOVO, pela Odeon, onde registrou suas composições O OVO e CANTO GERAL.

Em 1969, a convite de Flora Purim e Airto Moreira, viajou para os EUA e gravou com eles 2 LPs, atuando como compositor, arranjador e instrumentista. Nessa época, conheceu Miles Davis e gravou com ele duas músicas suas: “Nem Um Talvez” e “Igrejinha”. De volta ao Brasil, gravou o lp “A MÚSICA LIVRE DE HERMETO PASCOAL”, com seu primeiro grupo, em 1973.

Em 1976, retornou aos EUA, gravou o “SLAVES MASS” e realizou mais alguns trabalhos com Airto e Flora.

Com o nome já reconhecido pelo talento, pela qualidade e por sua criatividade, tornou-se a atração de diversos eventos importantes, como o I Festival Internacional de Jazz, em 1978, em São Paulo. No ano seguinte, participou do Festival de Montreux, na Suíça, quando é editado o álbum duplo HERMETO PASCOAL AO VIVO, e seguiu para Tóquio, onde participou do LIVE UNDER THE SKY. Lançou o CÉREBRO MAGNÉTICO em 1980 e multiplica suas apresentações pela Europa.

Em 1982, lançou, pela gravadora Som da Gente, o lp HERMETO PASCOAL& GRUPO. Em 1984, pelo mesmo selo, gravou o LAGOA DA CANOA, MUNICÍPIO ARAPIRACA, onde registrou pela primeira vez o SOM DA AURA com os locutores esportivos Osmar Santos (Tiruliru) e José Carlos Araújo (Parou, parou, parou). Esse disco também foi em homenagem à sua cidade, que se elevou, então, à categoria de município e conferiu-lhe o título de Cidadão Honorário. Em 1986, o BRASIL UNIVERSO, também com seu grupo.

Compôs ainda a SINFONIA EM QUADRINHOS, apresentando-se com a Orquestra Jovem de São Paulo. Em seguida, foi para Kopenhagen, onde lançou a SUITE PIXITOTINHA, que foi executada pela Orquestra Sinfônica local, em concerto transmitido, via rádio, para toda a Europa.

Em 1987, lançou mais um LP: o SÓ NÃO TOCA QUEM NÃO QUER, através do qual o músico homenageia jornalistas e radialistas, como reconhecimento pelo seu apoio ao longo da carreira. Em 1989, fez seu primeiro disco de piano solo, o lp duplo POR DIFERENTES CAMINHOS.

Em 1992, já pela Philips, gravou com seu grupo o FESTA DOS DEUSES. Depois do lançamento, viajou à Europa para uma série de concertos na Alemanha, Suíça. Dinamarca, Inglaterra e Portugal.

Em março de 1995, apresentou uma Sinfonia no Parque lúdico do Sesc Itaquera, em SP, utilizando os gigantescos instrumentos musicais do parque. No mesmo ano foi a convite da Unicef para Rosário, Argentina, onde apresentou-se para 2.000 crianças, sendo que seu grupo entrou para tocar dentro da piscina montada no palco a pedido dele.

De 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, registrou uma composição por dia, onde quer que estivesse. Essas composições fazem parte do CALENDÁRIO DO SOM, lançado em 1999 pela editora Senac/ SP.

Em 1999 lançou o CD EU E ELES, primeiro disco do selo Mec, no Rio de Janeiro.
Nesse CD produzido por seu filho Fábio Pascoal, Hermeto toca todos os instrumentos.

Em 2003, lançou, com seu grupo, o cd MUNDO VERDE ESPERANÇA, também produzido por Fábio.

Em outubro de 2002, quando foi dar um workshop em Londrina, PR, conheceu a cantora Aline Morena e convidou-a para dar uma canja no dia seguinte com o seu grupo em Maringá, PR. Em seguida ela foi para o Rio com ele e, no final de 2003, Hermeto passou a residir em Curitiba, PR, com ela. Assim, passou a dar-lhe noções de viola caipira, piano e percussão e, em março de 2004 estreou no Sesc Vila Mariana a sua mais nova formação: o duo “CHIMARRÃO COM RAPADURA” (gaúcha com Alagoano), com Aline Morena.

Em abril de 2004, embarcou para Londres para o terceiro concerto com a Big Band local, sendo que o primeiro já havia sido considerado o SHOW DA DÉCADA. Em seguida realizou mais alguns shows solo em Tóquio e Kyoto.

Em 2005 gravou o CD e o DVD “CHIMARRÃO COM RAPADURA”, com Aline Morena, além de realizar duas grandes turnês com seu grupo por toda a Europa. O cd e o dvd de Hermeto Pascoal e Aline Morena foram lançados de maneira totalmente independente em 2006.

Neste ano de 2010 está lançando o novo cd com Aline Morena, denominado “Bodas de Latão”, em comemoração aos sete anos juntos na vida e na música! Esse cd contem duas faixas multimídias, gravadas às margens do Rio São João, na estrada da Graciosa, em Morretes, Paraná. Além disso, conta com composições novas e antigas do Hermeto, uma composição e algumas novas letras de Aline e uma música de Astor Piazzolla.

Atualmente, Hermeto Pascoal apresenta-se com cinco formações: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal e Aline Morena, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. Diz ele que, por enquanto, é só!! Esse é o nosso “CAMPEÃO”!!!

Obs. Público, shows e discos têm todos a mesma importância para o Hermeto. Não há melhor público, nem melhor show, nem melhor disco. São todos filhos muito amados por ele. Portanto, o que foi mencionado nessa biografia refere-se apenas a um resumo dos fatos que foram lembrados.

Joe Henderson – 1963 – Page One

Em 1963, depois de ter sido lançado por Kenny Dorham no grupo Jazz Prophets, o saxtenorista Joe Henderson estréia como líder em Page One, um registro antológico.

A importância deste álbum começa por seus protagonistas: os jovens Pete La Roca (bateria), McCoy Tyner (piano), Butch Warren (baixo) e o líder Joe Henderson (sax tenor) – que começavam a figurar no cenário jazzístico com a vertente do hard bop -, dividem seus trabalhos com a experiência do trompetista Kenny Dorham, um dos precursores do bebop e músico muito respeitado pelos jazzístas da época.

Dorham é tão importante quanto o próprio Henderson em Page One por dois motivos: primeiro por seu estilo, repleto por influências latinas, ser claramente perceptível nesta gravação praticamente em todas as faixas. Segundo por duas marcantes composições próprias que abrem o álbum: Blue Bossa e La Mesha. A faixa Blue Bossa é resultado da experiência que Dorham teve ao visitar o Brasil no início dos anos 60. A gravação acabou tornando-se um verdadeiro standard e fez de Page One uma obra indispensável.

Os jovens músicos dos quais me referi, despontaram depois desta gravação. O baterista Pete La Roca (ou Pete Sims) tocou com feras como Art Farmer, Freddie Hubbard, Mose Allison, Charles Lloyd e Paul Bley; gravou para o selo Blue Note e chegou a largar a música para se tornar advogado, retornando muitos anos mais tarde à carreira artística. Butch Warren tocou com Jackie McLean, Stanley Turrentine, Donald Byrd, Herbie Hancock, Dexter Gordon e teve a proeza de pertencer ao Thelonious Monk’s Quartet entre 1963-1964. McCoy Tyner, que já pertencia ao famoso quarteto do saxofonista John Coltrane, participou da gravação do histórico A Love Supreme, em 1964. Tyner sustentou uma carreira sólida, que vai das raízes à vanguarda, transitando por diversos estilos de jazz. O saxofonista Joe Henderson, que desde o início da carreira já detinha um estilo original e criativo, ficou conhecido como um dos grandes saxtenoristas de seu tempo, participando de gravações memoráveis, como a de Song for my Father no quinteto de Horace Silver.

Ouça no GrooveShark:
Joe Henderson – 1963 – Page One by Leonardo Coelho on Grooveshark

Tracks:

1. Blue Bossa
2. La Mesha
3. Homestretch
4. Recorda Me
5. Jinrikisha
6. Out of the Night

Credits:

Kenny Dorham – Trumpet, Liner Notes
Joe Henderson – Sax (Tenor)
Pete La Roca – Drums
Alfred Lion – Producer
McCoy Tyner – Piano

Henderson nasceu em Lima, Ohio no dia 24 de abril de 1937. Sua carreira musical começou quando era estudante no Kentucky State Collage e na Wayne University de Detroit. Os primeiros trabalhos foram com o organista Jack McDuff e o trompetista Kenny Dorham e em 1963 Henderson assina com a gravadora Blue Note.

Um ano depois integrava o quinteto de Horace Silver onde permaneceu por dois anos. Os primeiros trabalhos para a Blue Note, “Page One”, “Our Thing” e “Mode for Joe” produziram algumas de suas clássicas composições, como “Recorda Me” e “Inner Urge”. Henderson foi um sideman requerido por grandes artistas do jazz, como Herbie Hancock, Miles Davis e a banda Blood, Sweat and Tears.

Nos anos 70 ele gravou pela Milestones e fixou residência em San Francisco. Sua carreira explodiu nos anos 90, quando gravou trabalhos aclamados pela crítica no mundo todo: “Lush Life”, “So Near, So Far” e “Double Rainbow”, homenagens a Strayhorn, Miles e Jobim respectivamente. Em 30 de junho de 2001, Joe Henderson faleceu devido a um ataque do coração, depois de uma longa batalha com o efizema.

http://clubedejazz.com.br/ojazz/jazzista_exibir.php?jazzista_id=123
http://www.jazzmanbrasil.com/2011/08/joe-henderson-1963-page-one.html

Joe Henderson

Joe Henderson (Lima 24 de Abril de 1937 – São Francisco, 30 de Junho de 2001) foi um saxofonista tenor de jazz, norte-americano. O seu estilo musical tem influências que vão desde o hard bop à bossa nova, soul jazz ou jazz de fusão.

Biografia
Joe Henderson estudou música na escola Kentucky State College e na universidade de Wayne, em Detroit. Entre 1960 e 1962, presta serviço militar. O seu nome começa a ser conhecido, depois de sair do exército, tocando com o trompetista Kenny Dorham em 1962 e 1963. Este consegue um contrato para Henderson com a gravadora de jazz Blue Note.

Entre 1964 e 1970, Henderson toca no quinteto de Horace Silver, e com a banda de Herbie Hancock, na segunda metade dos anos 60. Na década de 1970, Henderson vive em São Francisco, e grava por diversas vezes para a Milestone. Toca temporáriamente com os Blood, Sweat & Tears em 1971. Na década seguinte, dedica-se ao ensino de música e, como músico independente, volta a gravar para a Blue Note. O seu reconhecimento surge quando é contratado pela Verve.

Em 1992, Henderson recebe o título de melhor músico de jazz pela Down Beat, e melhor saxofonista tenor. Um dos seus álbuns mais vendidos é Lush Life: The Music of Billy Strayhorn, que vendeu mais de 450.000 unidades por todo o mundo (cerca de 100.000 nos EUA). O seu álbum So Near So Far: Musings for Miles recebeu o Grammy para a melhor interpretação de jazz.

O seu último trabalho, Porgy and Bess, foi gravado em 1997

Joe Henderson morre em 30 de Junho de 2001, devido a parada cardíaca, após algum tempo a sofrer de enfisema.

Discografia
Page One (Blue Note 1963)
Our Thing (Blue Note 1963)
In ‘n Out (Blue Note 1964)
Inner Urge (Blue Note 1964)
Mode for Joe (Blue Note 1966)
The Kicker (Milestone 1967)
Tetragon (Milestone 1967)
Four (Verve 1968)
Straight, No Chaser (Verve 1968)
Power to the People (Milestone 1969)
Joe Henderson in Japan (Milestone 1971)
The Elements (Milestone 1973)
Canyon Lady (Milestone 1973)
Multiple (Milestone 1973)
Relaxin’ at Camarillo, (Contemporary 1979)
The State of the Tenor Live at the Village Vanguard (Blue Note 1985)
SKYDANCE : Joe Henderson w/ Jon Ballantyne Trio (Justin Time 1989)
Lush Life: The Music of Billy Strayhorn (Verve 1991)
So Near, So Far (Musings for Miles), (Verve 1992)
Double Rainbow: The Music of Antonio Carlos Jobim, (Verve 1994)

Milton Nascimento

http://www.dicionariompb.com.br/milton-nascimento/dados-artisticos

Milton Nascimento
26/10/1942 Rio de Janeiro, RJ

Integrou, como crooner, o conjunto W’s Boys, alusivo às letras iniciais dos nomes de seus integrantes, Wagner (Tiso), Waltinho, Wilson e Wanderley (o que o levou a apresentar-se como “Wilton”). Com o grupo, gravou um compacto simples, “Barulho de trem”, primeiro registro fonográfico de uma música de sua autoria.

Em 1963, mudou-se para Belo Horizonte, a fim de prestar vestibular para a Faculdade de Economia. Nessa capital, conheceu Fernando Brant e os irmãos Marílton, Márcio e Lô Borges. Começou a trabalhar em um escritório de contabilidade e a atuar em casas noturnas dessa capital, cantando e tocando contrabaixo.

No ano seguinte, compôs, com Márcio Borges, as canções “Novena”, “Gira, girou” e “Crença”. Ainda em 1964, fez parte, novamente com Wagner Tiso, de um trio de jazz, com o qual se apresentou no Bar Berimbau e na TV Itacolomi. Atuou, também com Marílton Borges, no conjunto Evolussamba. Integrou, em seguida, o Quarteto Sambacana, de Pacífico Mascarenhas, com o qual se mudou para o Rio de Janeiro em 1965 e gravou o LP “Quarteto Sambacana – muito pra frente”, lançado nesse mesmo ano.

Em 1966, participou, como cantor, do Festival Nacional de Música Popular da TV Excelsior (SP), classificando em 4º lugar a canção “Cidade vazia” (Baden Powell e Lula Freire). Ainda nesse ano, sua composição “Canção do sal” foi gravada por Elis Regina.

No ano seguinte, três composições de sua autoria, inscritas por Agostinho dos Santos no II Festival Internacional da Canção (TV Globo), foram escolhidas para participar do evento pelo comitê de pré-seleção, presidido por Eumir Deodato: “Travessia”, sua primeira parceria com Fernando Brant, “Morro Velho” e “Maria, minha fé”. Todas ficaram entre as finalistas, sendo que “Morro Velho” e “Travessia” foram contempladas, respectivamente, com o 7º e o 2º lugares. Pela interpretação de “Travessia”, recebeu o prêmio de Melhor Intérprete, que lhe foi entregue no palco do Maracanãzinho pelo crítico Ricardo Cravo Albin. Ainda em 1967, apresentou-se no Teatro Casa Grande(RJ), ao lado de Novelli e Danilo Caymmi, entre outros artistas. Nesse mesmo ano, gravou seu primeiro disco, “Milton Nascimento”, registrando composições próprias, entre as quais “Três Pontas” (c/ Ronaldo Bastos), “Travessia” (c/ Fernando Brant), “Morro Velho” e “Outubro” (c/ Fernando Brant). Ainda em 1967, realizou no Rui Bar Bossa (RJ) o show “Travessia”, dirigido por Paulo Sérgio Valle. Participou, também, do show “Viola enluarada”, realizado no Teatro Toneleros(RJ), ao lado dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, entre outros artistas.

No ano seguinte, viajou para os Estados Unidos, onde gravou, pela A&M Records, o LP “Courage”. O disco contou com arranjos de Eumir Deodato e incluiu canções de sua autoria como “Vera Cruz” (c/ Márcio Borges), “Três Pontas” (c/ Ronaldo Bastos) e “Outubro” (c/ Fernando Brant), além de “Bridges”, versão em inglês de “Travessia” (c/ Fernando Brant) e da faixa-título (c/ Paul Williams), entre outras. Ainda em 1968, realizou turnê de shows nesse país e no México.

No ano seguinte, voltou para o Brasil e gravou o LP “Milton Nascimento”, registrando canções de sua autoria como “Sentinela” e “Beco do Mota”, ambas c/ Fernando Brant, e músicas de outros autores como “Pescaria” (Dorival Caymmi), “O mar é meu chão (Dori Caymmi e Nelson Motta) e “Quatro luas” (Nélson Ângelo e Ronaldo Bastos), entre outras. Ainda em 1969, compôs a trilha sonora do filme de Ruy Guerra “Os deuses e os mortos”, do qual participou, também, como ator. O filme concorreu ao Festival de Berlim, onde lhe havia sido destinado o Urso de Prata que, no entanto, não recebeu.

Em 1970, assinou, em parceria com Fernando Brant, a trilha musical de “Tostão, a fera de ouro”, curta-metragem de Ricardo Gomes Leite e Paulo Laender, com destaque para a canção “Aqui é o país do futebol”. Também nesse ano, estreou, no Teatro Opinião(RJ), o show “Milton Nascimento, ah, e o Som Imaginário”, sendo essa a sua primeira atuação ao lado do conjunto que passou a acompanhá-lo desde então. Ainda em 1970, lançou o LP “Milton”, no qual gravou músicas de sua autoria, como “Clube da Esquina” (c/ Lô e Márcio Borges) e “Amigo, amiga” (c/ Ronaldo Bastos), além de canções de outros autores, como “Para Lennon e McCartney” (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant), “A felicidade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e “Durango Kid” (Toninho Horta e Fernando Brant), entre outras.

Em 1971, participou do Festival de Onda Nueva, na Venezuela, com a canção “Aos povos” (c/ Márcio Borges). Polarizou o movimento musical mineiro conhecido como Clube da Esquina (uma referência à esquina da Rua Divinópolis com a Rua Paraisópolis, localizadas no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, onde os irmãos Borges, desde meninos, costumavam se reunir para cantar e tocar violão). Seus componentes, Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Wagner Tiso, Beto Guedes, Toninho Horta, Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Ronaldo Bastos, Nivaldo Ornellas, Nélson Ângelo e Tavito, entre outros, tinham em comum uma mesma identidade cultural e política, privilegiando, em suas letras, os temas sociais.

A rica produção do grupo gerou, em 1972, a gravação do LP duplo “Clube da Esquina”, que trazia na capa a foto de dois meninos sentados à beira de uma estrada. No repertório, composições próprias como “Nada será como antes” e “Cais”, ambas com Ronaldo Bastos, além de canções de outros compositores como “O trem azul” (Lô Borges e Ronaldo Bastos), “Tudo o que você podia ser” e “Um girassol da cor de seu cabelo”, ambas de Lô e Márcio Borges, com destaque ainda para “Dos cruces” (Carmelo Larrea) e “Me deixa em paz” (Monsueto e Ayrton Amorim), que contou com a participação especial de Alaíde Costa.

Em 1973, gravou o LP “Milagre dos peixes”, exclusivamente autoral, com destaque para a canção título e “Os escravos de Jó”, ambas com Fernando Brant, “Cadê” (c/ Ruy Guerra), “Pablo” (c/ Ronaldo Bastos), “Hoje é dia de El-rey” (c/ Márcio Borges) e “Sacramento” (c/ Nélson Ângelo), entre outras. Realizou show homônimo, acompanhado de orquestra e do conjunto Som Imaginário, no Teatro Municipal de São Paulo e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Nessa apresentação, o espetáculo foi gravado ao vivo e lançado, no ano seguinte, em LP duplo. No repertório, canções incluídas no disco gravado em estúdio, além de “A matança do porco” (Wagner Tiso) e “Sabe você” (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes), entre outras.

Em 1975, gravou mais um disco nos Estados Unidos, o LP “Native dancer”, com o saxofonista Wayne Shorter, contendo composições de sua autoria como “Ponta de areia” e “Tarde”, ambas com Fernando Brant, entre outras, além das canções “Beauty and the beast”, “Diana” e “Ana Maria”, todas de Wayne Shorter, e “Joanna’s theme” (Herbie Hencock). Ainda nesse ano, lançou no Brasil o LP “Minas”, contendo suas canções “Fé cega faca amolada” (c/ Ronaldo Bastos), “Saudade dos aviões da Panair (Conversando no bar)” (c/ Fernando Brant) e “Paula e Bebeto” (c/ Caetano Veloso), entre outras, além da faixa-título (Novelli), “Beijo partido” (Toninho Horta), “Simples” (Nélson Ângelo), “Norwegian wood” (Lennon e McCartney) e “Caso você queira saber” (Beto Guedes e Márcio Borges).

Em 1976, gravou, nos Estados Unidos, o LP “Milton”, contendo versões em inglês de composições de sua autoria. O disco contou com a participação de Airto Moreira, Herbie Hencock e Wayne Shorter, entre outros. No repertório, canções como “Nothing will be as it was (Nada será como antes)” (c/ Ronaldo Bastos – vrs. René Vicent) e “Fairy tale song (Cadê)” (c/ Ruy Guerra – vrs. Matthew Moore), entre outras. Nesse mesmo ano, lançou no Brasil o LP “Geraes”, com destaque para as canções “Fazenda” (Nélson Ângelo), “Calix Bento” (folclore – adpt. Tavinho Moura), “Volver a los 17” (Violeta Parra), “O que será (À flor da pele)” (Chico Buarque) e “Carro de boi” (Maurício Tapajós e Cacaso), além de composições próprias como “Circo marimbondo” (c/ Ronaldo Bastos) e “O cio da terra” (c/ Chico Buarque), entre outras.

Em 1978, lançou o disco duplo “Clube da Esquina 2”, reunindo os músicos da turma original, além de outros integrantes. No repertório, canções como “Nascente” (Flávio Venturini e Murilo Antunes), “Canoa canoa” (Nélson Ângelo e Fernando Brant), “Mistérios” (Joyce e Maurício Maestro), “Meu menino” (Danilo Caymmi e Ana Terra), “Canción por la unidad de Latino América” (Pablo Milanes e Chico Buarque) e “Toshiro” (Novelli), além de suas canções “Maria, Maria” (c/ Fernando Brant), “Testamento” (c/ Nélson Ângelo) e “Canção amiga” (sobre poema de Carlos Drummond de Andrade), entre outras.

Em 1979, gravou mais um disco nos Estados Unidos, a antologia “Journey to down”, registrando composições próprias como a faixa-título, versão de Gene Lees para “Crença” (c/ Márcio Borges), “Maria, Maria” (c/ Fernando Brant) e a versão de Jim Webb para “O cio da terra” (c/ Chico Buarque), entre outras.

Em 1980, lançou o LP “Sentinela”, com destaque para “Canção da América” (c/ Fernando Brant) e a participação da Oficina Instrumental Uakti.

No ano seguinte, gravou o LP “Caçador de mim”, contendo a faixa-título (Sérgio Magrão e Luís Carlos Sá) e “Crescente” (Wagner Tiso), além de sua canção “Sonho de moço” (c/ Francis Hime), entre outras. Ainda em 1981, participou do filme “Fitzcarraldo”, de Werner Herzog.

Lançou, no ano seguinte, o LP “Ânima” que, além da faixa-título, uma parceria com Zé Renato, registrou também suas canções “Teia de renda” (c/ Túlio Mourão), “Certas canções” (c/ Tunai) e a faixa “No analices” (Cláudio Cartier e Paulo César Feital), entre outras. Também em 1982, gravou o LP “Missa dos Quilombos”, realizado a partir de textos de Dom Pedro Casaldáliga (arcebispo de São Félix do Araguaia, MT) e do poeta Pedro Tierra.

No ano seguinte, apresentou-se no Anhembi em São Paulo, em espetáculo que contou com a participação de Gal Costa. O show foi gravado e gerou o LP “Milton Nascimento ao vivo”. Ainda em 1983, atuou no filme “Buriti”, de Carlos Alberto Prates Correia. Também nesse ano, participou da Noite Brasileira, no Festival de Montreux (Suíça), ao lado de Alceu Valença e Wagner Tiso, apresentação que originou o disco “Brazil night – ao vivo em Montreux”.

Em 1985, lançou o LP “Encontros e despedidas”, exclusivamente autoral, contendo as canções “Noites do sertão” (c/ Tavinho Moura), escrita para a trilha sonora do filme homônimo de Carlos Alberto Prates Correia, “Portal da cor” (c/ Ricardo Silveira), “Raça” (c/ Fernando Brant) e “Rádio Experiência” (c/ Tunai), entre outras.

No ano seguinte, gravou, com Mercedes Sosa e León Gieco, o LP “Corazón americano”. Ainda em 1986, lançou o LP “A barca dos amantes”, gravado ao vivo com a participação de Wayne Shorter, contendo as canções “Nuvem cigana” (Lô Borges e Ronaldo Bastos) e “Amor de índio” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos), além de suas composições “Pensamento” (c/ Fernando Brant) e a faixa-título (c/ Sérgio Godinho), entre outras.

Em 1987, gravou o LP “Yauaretê”, que registrou exclusivamente composições próprias como “Planeta blue” (c/ Fernando Brant), “Meu mestre coração” (c/ Fernando Brant) e “Mountain” (c/ Cat Stevens e Márcio Borges), além da faixa-título (c/ Fernando Brant), entre outras. Também nesse ano, lançou um mix com o grupo RPM contendo suas canções “Homo sapiens” e “Feito nós”, ambas com Paulo Ricardo.

Em 1988, gravou o LP “Miltons”, com destaque para “Bola de meia, bola de gude” (c/ Fernando Brant).

Em 1990, gravou o LP “Txai”, contendo composições próprias como a faixa-título (c/ Márcio Borges), “Coisas da vida” (c/ Fernando Brant) e “Sertão das águas” (c/ Ronaldo Bastos), entre outras, além de músicas originais de povos indígenas, para cujas entidades doou parte dos direitos de vendagem do disco.

No ano seguinte, lançou “O planeta blue na estrada do sol”, em que registrou músicas de sua autoria como “Ponto de encontro” (c/ Zé Renato) e “Planeta blue” (c/ Fernando Brant), além de canções de outros compositores como “Um índio” (Caetano Veloso) e “Beatriz” (Edu Lobo e Chico Buarque), entre outras.

Em 1993, gravou o CD “Angelus”, que contou com a participação de Jon Anderson e James Taylor.

Lançou, em 1995, o CD “Amigo”, contendo suas canções “Que bom, amigo”, “Canção da América” (c/ Fernando Brant) e “Coração de estudante” (c/ Wagner Tiso), além de composições como “Panis angelicus” (César Frank), “Eu sei que vou te amar” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e “Simples” (Nélson Ângelo), entre outras.

Em 1996, foi premiado pela entidade internacional Rain Forest, por sua atuação em prol da ecologia. Ainda nesse ano, realizou, em Nova York, o show “Amigo”, acompanhado pela Orquestra Filarmônica de Nova York e por um coro de 30 meninos. Seguiu com o espetáculo para o Festival de Montreux (Suíça) e o Festival de Tübingen (Alemanha). Apresentou-se, no fim do ano, com o mesmo show, no espaço The Royal Albert Hall de Londres, acompanhado pela Royal Philharmonic Concert Orchestra.

Em 1997, lançou o CD “Nascimento”, no qual registrou composições próprias como “Louva-a-deus” (c/ Fernando Brant) e “Levantados do chão”, e canções de outros autores, como “Ana Maria” (Wayne Shorter). Também nesse ano, a gravadora PolyGram lançou a caixa “Milton”, com 10 CDs gravados na Ariola e na PolyGram, remasterizados nos estúdios Abbey Road, em Londres. Ainda em 1997, gravou “A sede do peixe”, documentário biográfico, dirigido por Lula Buarque de Hollanda e Carolina Jabor, que contou com a participação de Caetano Veloso, Alaíde Costa, Nana Caymmi, Gilberto Gil, Zélia Duncan, Skank, Alcione, Chico Buarque, Gilberto Gil e Wagner Tiso, entre outros artistas. o programa foi exibido pelos canais Multishow e HBO. Realizou, em seguida, turnê pelo Brasil com o show “Tambores de Minas”, lançado em disco homônimo gravado ao vivo.

Em 1998, foi contemplado com o Prêmio Grammy na categoria Melhor CD de World Music, pelo disco “Nascimento”.

No ano seguinte, rememorando o início de sua carreira, gravou o CD “Crooner”, no qual registrou canções como “Only you” (A. Ram e B. Ram), “Mas que nada” (Jorge Ben), “Frenesi” (A. Dominguez), “Castigo” (Dolores Duran) e “Lágrima flor” (Billy Blanco), entre outras, além de sua composição “Barulho de trem”. Apresentou-se no Canecão(RJ), em show de lançamento do disco. Ainda nesse ano, participou, como convidado, do disco “Rapsódia brasileira”, interpretando as faixas “Travessia” e “Eu sei que vou te amar”.

Em 2000, gravou, com Gilberto Gil, o CD “Gil e Milton”. O disco registrou parceria de ambos, como “Dinamarca”, “Trovoada”, “Sebastian”, “Duas sanfonas” e “Lar hospitalar”, além de suas músicas “Ponta de Areia” (c/ Fernando Brant) e “Canção do sal” e das composições “Bom-dia” (Gilberto Gil e Nana Caymmi), “Something” (George Harrison), “Maria” (Ary Barroso e Luís Peixoto), “Yo vengo a ofrecer mi corazón” (Fito Paez), “Dora” (Dorival Caymmi), “Xica da Silva” (Jorge Ben), “Palco” (Gilberto Gil), “Baião da garoa” (Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga). Nesse mesmo ano, apresentou-se com Gilberto Gil em temporada no Canecão(RJ).

Em 2001, participou do show e disco “Ouro negro”, produzido por Mario Adnet e Zé Nogueira, interpretando “Coisa nº 8 – Navegação” (Moacir Santos, Nei Lopes e Regina Werneck). Nesse mesmo ano, criou o selo Nascimento, inaugurado com o lançamento do álbum duplo “Maria Maria/O Último Trem”, reunindo as trilhas que compôs para os balés “Maria Maria” (1976) e “O último trem” (1980), ambas do Grupo Corpo, de Belo Horizonte.

Em 2003, participou do projeto “Jobim Sinfônico” (show, CD e DVD), dirigido por Mario Adnet e Paulo Jobim, interpretando as canções “Se todos fossem iguais a você” (Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) e “Matita Perê” (Antônio Carlos Jobim e Paulo César Pinheiro). Nesse mesmo ano, lançou o CD “Pietá”, contendo suas canções “A feminina voz do cantor” e “Beleza e canção”, ambas com Fernando Brant, “Boa noite” e a faixa-título, ambas com Chico Amaral, “Tristesse” e “Os meninos de Araçuaí, ambas com Telo Borges, “Imagem e semelhança” (c/ Kiko Continentino e Bena Lobo), “A lágrima e o rio” (c/ Wilson Lopes e Ricardo Nazar) e “Vozes do vento” (c/ Kiko Continentino), além de “Casa aberta” (Flávio Henrique e Chico Amaral), “Quem sabe isso quer dizer amor” (Lô Borges e Marcio Borges), “Voa bicho” (Telo Borges e Marcio Borges), “Outro lugar” (Elder Costa), “Às vezes Deus exagera” (Bruno Nunes), “Cantaloupe Island” (Herbie Hencock) e “Beira-mar novo” (folclore do Vale do Jequetinhonha, adaptação de Frei Chico e Lia Marques). O disco contou com a participação de Eumir Deodato, nos arranjos, e das cantoras Maria Rita Mariano, Marina Machado e Simone Guimarães. Realizou, nesse mesmo ano, show de lançamento do CD no Canecão (RJ), seguindo em turnê pelo Brasil e depois pela Europa.

Em 2004, lançou em DVD, pelo selo Nascimento, o documentário “A sede do peixe”, com distribuição da EMI. Nesse mesmo ano, fundou a Associação dos Amigos do Museu do Clube da Esquina, ao lado de Toninho Horta, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Lô Borges e Márcio Borges. O Museu do Clube da Esquina, criado com o patrocínio da Petrobras através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, tem como objetivo a preservação da memória desse movimento musical, a partir da captação de depoimentos, restauração de acervos e promoção de palestras.

Em 2005, apresentou-se, ao lado de Caetano Veloso, Canecão (RJ), com o show “Milton e Caetano”. No repertório, “Paula e Bebeto”, “A terceira margem do rio”, “As várias pontas de uma estrela”, “Senhor do tempo”, “Sereia” e “Perigo”, parcerias de ambos incluídas na trilha sonora do filme “O Coronel e o lobisomem”, além de outros clássicos do cinema, como “Luz de Tieta” (“Tieta”) e “Luz do sol” (“Índia, a filha do sol”), de Caetano Veloso, e “A felicidade” (“Orfeu”), de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, entre outros. O espetáculo contou com cenário de Hélio Eichbauer.

Homenageando os 50 anos da bossa nova, lançou, em 2008, em parceria com o Jobim Trio, formado por Paulo Jobim, Daniel Jobim e Paulo Braga, o CD “Novas bossas”, primeiro lançamento do selo por ele fundado, Nascimento Music.No repertório, clássicos como “Chega de Saudade” (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), além músicas do Clube da Esquina e uma composição inédita de Daniel Jobim, “Dias azuis”. Nesse mesmo ano, estreou , no Teatro Nelson Rodrigues (RJ), o musical “Bituca – O vendedor de sonhos”, inspirado em sua vida e sua obra.

Lançou, em 2010, o CD “E a gente sonhando”, com a participação de Wagner Tiso (piano), Vittor Santos (trombone), Widor Santiago (sax), Nelson Oliveira (trompete) e Lincoln e Ricardo Cheib (bateria e percussão), e ainda de um coral de 23 jovens de Três Pontas selecionados pelo próprio artista. No repertório, suas composições “O ateneu”, “Espelho de nós” e “Me faz bem”, todas com Fernando Brant, “Amor do céu, amor do mar” (c/ Flavio Henrique), “Gota de primavera” (c/ Pedrinho do Cavaco), “Sorriso” e a faixa-título, além de “Flor de Ingazeira” (João Bosco e Francisco Bosco), “Do samba ao jazz” (Ismael Tiso e Miller Rabelo de Brito), “Estrela Estrela” (Vitor Ramil), “Raras maneiras” (Tunai e Marcio Borges), “O sol” (Antonio Júlio Nastácia), “Resposta ao tempo” (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), “Adivinha o que” (Lulu Santos), “Olhos do mundo” (Marco Elizeol e Heitor Branquino) e “Eu pescador” (Clayton Prosperi e Haroldo Jr.). Em 2011, numa parceria do Instituto Cultural Cravo Albin com o selo Discobertas, foi lançado o box “100 Anos de Música Popular Brasileira”, contendo quatro CDs duplos, com áudio restaurado por Marcelo Fróes da coleção de oito LPs da série homônima produzida por Ricardo Cravo Albin, em 1975, com gravações raras dos programas radiofônicos “MPB 100 ao vivo” realizadas no auditório da Rádio MEC, em 1974 e 1975. O compositor participou do volume 6 da caixa, com suas canções “Travessia” e “Canção do sal”, ambas com Fernando Brant, as duas voz de Rosana Toledo. Nesse mesmo ano, foi destaque no “Rock in Rio”, dividindo o palco com a contrabaixista norte-americana Esperanza Spalding.

Em 2012, estreou no Theatro Net (RJ) o musical “Nada será como antes”, reunindo canções de sua autoria. O espetáculo, dirigido por Charles Moëller e Claudio Botelho, entrou em cartaz como parte das homenagens ao seu 70º aniversário. Nesse mesmo ano, dividiu o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a fadista portuguesa Mariza, o show de abertura do Ano de Portugal no Brasil. Celebrando 50 anos de carreira, apresentou-se, ainda em 2012, no Vivo Rio (RJ). O show foi gravado para o lançamento do DVD “Milton Nascimento – 50 anos de voz nas estradas”.

Em 2013, apresentou-se no Vivo Rio. O espetáculo contou com a participação especial de Wagner Tiso e Lô Borges.

AYSTELUM

http://edmotta.uol.com.br/pt/discos_aystelum.php

Aystelum é um mundo paralelo concebido por Ed Motta. Em seu novo trabalho, o cantor, compositor, instrumentista e arranjador parte do caminho aberto por “Dwitza” (2001) e incorpora novos elementos a uma sonoridade em constante evolução, mantendo sua marca registrada de sofisticação harmônica.

Ed Motta é apaixonado por música e seu novo álbum reflete seu gosto musical sem fronteiras. Em Aystelum, assim como na vitrola de Ed, convivem em harmonia o jazz, o samba, o soul e os musicais da Broadway. Aliás, a junção desses fragmentos aparentemente dispersos nada mais é do que a própria definição do trabalho de um compositor.

A capa criada por Edna Lopes e Ed Motta, de traço inspirado nos quadrinhos franco-belgas da escola Ligne Claire, oferece algumas pistas para desvendar o mistério de Aystelum. A história sem palavras remete a um universo fantástico e demonstra como a audição do disco pode levá-lo a lugares desconhecidos.

Neste disco, buscou-se uma naturalidade nas interpretações, com os músicos tocando “ao vivo” no estúdio, todos ao mesmo tempo. Poucos detalhes foram adicionados posteriormente – um trabalho no qual Ed é mestre, retratado no documentário sobre a gravação de “Poptical” (2003), incluído no DVD lançado em 2004.

A busca pela liberdade de expressão é o que move Ed Motta. Assumir riscos é condição fundamental para atingir esse objetivo. No universo de Aystelum, o autor exerce controle absoluto, utilizando-o para realizar um sonho que poderia encontrar limitação no mundo real.

Ed comenta que em sonhos recebeu a inspiração para a criação das palavras originais que dão título ao disco e a vários de seus temas.

Alberto Continentino (baixo), Paulinho Guitarra, Rafael Vernet (teclados) e Renato “Massa” Calmon (bateria) já são presenças constantes nos discos e nos shows de Ed. Aystelum também conta com participações especiais, dentre outros, de Andrés Perez (saxofone tenor) e de seu colaborador freqüente Jessé Sadoc Filho (trompete). O destaque dado por Ed Motta para o trabalho dos músicos é raro nos artistas populares atuais. Talvez por isso seja tão difícil reunir um grupo tão seleto como Ed consegue fazer.

O disco abre com o spiritual jazz Awunism que data da tournée de Dwitza e precisou esperar o momento certo para ser gravado, mas nem por isso perdeu sua urgência. O chileno Andrés Perez faz sua estréia em disco no Brasil com um solo arrasador, de vocabulário post-bop. Laudir de Oliveira, ex-membro da banda Chicago, participa pela primeira vez de um disco de Ed. Na mixagem, um efeito pouco utilizado atualmente – baixo e bateria estão separados, do lado esquerdo e direito, respectivamente – verifique seu equipamento estereofônico!

A segunda faixa é um samba em parceria com Nei Lopes que consegue sintetizar com maestria o ambiente do Rio antigo, a partir de suas Pharmácias (com PH) de estilo art déco. Apesar da referência histórica, este samba aponta para o futuro, a partir da utilização de teclados analógicos e de uma harmonia pouco usual.

Aystelum é a trilha sonora perfeita para o ambiente caracterizado na capa do disco. O tema que dá nome ao disco destaca-se pelo arranjo espacial, em que o curso é alterado a todo momento. No início, Renato “Massa” Calmon utiliza a bateria como um instrumento melódico. Em seguida, um discurso ultra preciso do trompete de Jessé Sadoc Filho. Novamente o tema é executado, com um arranjo diferente, valorizando a melodia, uma das mais belas já compostas por Ed. Ao final, os pianos Rhodes e Celesta, cujos timbres se completam perfeitamente, travam um diálogo incomum.

O samba-jazz de andamento rápido e titulo irônico É Muita Gig Véi utiliza novamente instrumentos pouco usuais no estilo, como os pianos RMI e Multivox, o Hohner Clavinet e o Elka Rhapsody. Destaca-se também o solo de voz de Ed.

Samba Azul conta com a interpretação impecável de uma das melhores vozes brasileiras. Alcione é uma das cantoras favoritas de Ed Motta e este dueto foi gravado no mesmo take, sem overdubs. O Rio de Janeiro sombrio, diferente do habitualmente retratado, é captado na bela letra de Nei Lopes. Curiosidade: A sessão de gravação teve direito a banquete gastronômico, com cozinha típica do Maranhão, cortesia de Alcione.

Na sexta faixa, Balendoah, uma banda de 14 músicos executa um jazz moderno e furioso. A utilização de duas baterias – Tutty Moreno (canal direito) e Renato “Massa” Calmon (canal esquerdo) – e dois baixos – Alberto Continentino e Paulo Russo – dá a sensação de liberdade rítmica à música. O piano RMI, o primeiro piano eletrônico inventado, é ideal para o solo inventivo de Rafael Vernet.

Na seqüência, Ed Motta coloca em prática um antigo sonho de compor para um musical. O arranjo de Jota Moraes, baseado em idéias originais de Ed, remete às trilhas de desenho animado que o autor ouviu na infância e dos musicais da Broadway que aprendeu a gostar já adulto. As três músicas tiradas do musical, Abertura, Na Rua e Canção em Torno Dele contam com a participação do elenco do espetáculo.

O musical “7”, com texto e direção de Charles Moeller, letras de Cláudio Botelho e músicas de Ed Motta, será montado ainda este ano.

A parte final do disco contém músicas que mais se aproximam do trabalho anterior de Ed. A Charada é um pop noturno levado à perfeição pela letra de Ronaldo Bastos e Ed Motta. O solo de Paulinho Guitarra mostra porque Ed o classifica como um de seus guitarristas favoritos.

A ensolarada Patidid é um funk-samba de sotaque carioca, fechando o disco com o sabor do movimento Black Rio. Nesta faixa, assim como em todo o disco, Alberto Continentino utiliza o baixo acústico, o que é raro no idioma do funk.

Na última hora, decidiu-se pela inclusão de Guezagui, um tema executado nos shows europeus da tournée de Poptical, que esconde diversas experimentações de estúdio como a utilização de 2 baterias e 6 pianos Celesta.

Aystelum é o disco mais pessoal de Ed Motta até hoje e representa o melhor que o autor poderia produzir, isto é, o disco que ele gostaria de ouvir em casa.

A experimentação de estilos diversos é surpreendente e estimula novas audições. Em Aystelum não existem preconceitos musicais, nem regras, mas somente a devoção de Ed Motta pela música e a convicção de que um artista deve ter como único compromisso a liberdade de criação.

João Duprat

CHAPTER 9

http://edmotta.uol.com.br/pt/discos_chapter9.php

“Chapter 9” celebra os 20 anos de carreira de Ed Motta
Aproveitando a data, Ed sai em turnê pelo país, no repertório seus principais hits e inéditas do novo álbum

A sonoridade, o talento e a criatividade de Ed Motta estarão mais presentes que nunca em seu nono trabalho. Diferente de tudo o que já realizou até aqui, em Chapter 9, o multiinstrumentista toca com intimidade todos os instrumentos presentes no disco. O resultado é um trabalho singular, todo em inglês e sem pretensões de provar nada a ninguém.

Para comemorar o lançamento do álbum e os 20 anos de carreira, Ed Motta sai em turnê pelo país. O repertório é composto pelos hits que marcaram a sua carreira: Colombina, Fora da lei, Espaço na van, Manue, além das inéditas The man from the oldest building; You’re supposed to…; St. Christopher’s last stand; Twisted blue e The runaways.

O novo álbum já esta nas lojas, mas pode ser baixado gratuitamente pelo projeto Álbum Virtual Trama (www.albumvirtual.trama.com.br). Pelo site, é possível baixar todas as músicas, encarte e imagens dos 20 anos de carreira do músico. O conteúdo disponibilizado não possui proteção DRM, ou seja, ao baixar o conteúdo o usuário pode deixar no computador, colocar em um CD, no pen-drive ou em outras mídias.

“Chapter 9 é inclassificável. Tem alma própria. Não é pop, mas as canções colam na cabeça. Chapter 9 é o inesperado, mostra um lado desconhecido de Ed ao seu público. As pessoas precisam estar preparadas para o inesperado”, declara o produtor, músico e compositor Alexandre Kassin.

Carreira –

Nesses 20 anos de estrada, Eduardo Motta construiu bem mais que uma carreira. Consolidou um importante capítulo da história da música brasileira, que teve início no fim dos anos 80. Ed despontou na cena carioca como cantor e um dos compositores e produtores do Conexão Japeri. No homônimo disco de estréia, de 1988, as canções Manuel, Vamos Dançar, Baixo Rio e Um Love surgiam como sucessos que o acompanhariam ao longo da vida. Ed tinha 16 anos. Hoje, o cantor, compositor, arranjador e produtor de trânsito internacional tem uma trajetória invejável. São 13 álbuns lançados, sendo nove de inéditas e quatro coletâneas, além de trilhas, singles, participações especiais e outros projetos e uma carreira sólida e de sucesso em vários países da Europa e nos Estados Unidos.

Em seu estilo, sem abrir mão da veia funk-soul, tritura influências que vão do jazz à canção brasileira, das trilhas sonoras de Hollywood ao rock, da música clássica aos standards americanos, da bossa nova ao reggae. O resultado desta amálgama de referências já é reconhecido no mundo todo. Em estúdios e palcos, Ed já trocou experiências com músicos como Roy Ayers, Chucho Valdés, Jean-Paul “Bluey” Maunick (líder do Incognito), Ryuichi Sakamoto, Paul Griffin, Bernard Purdie, Bo Diddley, Ed Lincoln, Miltinho, Mondo Grosso, Marcos Valle, João Donato, Dom Salvador, entre tantos outros.

Além das parcerias com músicos consagrados, Ed imprimiu sua marca também no cinema, ora criando trilhas inesquecíveis para longas como Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck, e Caixa Dois, de Bruno Barreto; ora emprestando sua voz a canções para clássicos da Disney, como Tarzan e O Corcunda de Notre Dame. O teatro também se rendeu à sua musicalidade. Em 2007, Charles Möeller e Cláudio Botelho escreveram “7 – O Musical”, peça baseada nas músicas de Ed Motta. Depois do sucesso da estréia, “7” volta aos palcos do Rio de Janeiro este mês.