Top 20 – Amazon

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O desafio de interpretar idiossincrasias – Releituras sobre John Coltrane, Eric Dolphy e Ornette Coleman!

O desafio de interpretar idiossincrasias – Releituras sobre John Coltrane, Eric Dolphy e Ornette Coleman!

Algumas peças jazzísticas são consideradas sagradas e intocáveis, dado o volume de personalidade própria que os compositores imprimiram nelas: poucos ousaram recriar, por exemplo, as suites Black Saint de Charles Mingus e a A Love Supreme, suite que john Coltrane elaborou em amor a Deus — e os músicos que ousarem recriar qualquer uma dessas suítes podem estar correndo o risco de, no mínimo, cair no ridículo e, no máximo, criar uma versão razoável, ficando, ainda assim, bem aquém do brilho da versão original. O trompetista, compositor e bandleader Wynton Marsalis prova, no entanto, que ele é uma exceção: ele já recriou obras de Jelly Roll Morton, Duke Ellington, Charles Mingus e Thelonious Monk de forma brilhante como poucos ousaram recriar. Da mesma forma, indico abaixo releituras e projetos-tributos sobre obras primas de John Coltrane, Eric Dolphy e Ornette Coleman, realizados por geniais e ousados músicos e grupos como John Zorn, Otomo Yoshihide, Rova Saxophone Quartet, Nels Cline e Gregg Bendian e a Lincon Center Jazz Orchestra. Trata-se, então, de releituras de obras de compositores muito idiossincráticos as quais poucos ousaram recriar ou reler. Importante afirmar, contudo, que nem sempre uma releitura tem de resgatar a essência da peça original para ser respeitada — muitas vezes é mais um tributo que transverte alguns elementos da obra-prima do que uma releitura, propriamente dita. Confiram nas resenhas e nos players!

John Zorn sempre foi mais um compositor experimentalista e um “agitador cultural” em torno do avant-garde americano do que propriamente um músico especializado em releituras. Mas aqui em Spy vs Spy ele empunha seu gritante saxofone alto e convida seu excepcional colega Tim Berne, também com seu sax alto tortuoso, para aplicar suas releituras em temas compostos por ninguém menos que Ornette Coleman — e integram ainda o estranho quinteto o contrabaixista Mark Dresser e os bateristas Joey Baron e Michael Vatcher. O quê? Dois saxofones altos, duas baterias e um contrabaixo? Sim, é isso mesmo! Com esse quinteto de estranha formação, Zorn não apenas interpreta à sua maneira os temas de Ornette Coleman, como tenta potencializar alegoricamente o estilo do mestre fundador do free jazz, fazer uma caricatura da sonoridade ornettiana. Trata-se de 17 temas compostos por Ornette que vão cronologicamente desde “Disguise”, tema composto em 1958, até temas do álbum In All Languages, de 1987. As releituras são concisas (tendo apenas quatro músicas superando a marca de três minutos) e tentam mais capturar a tortuosidade dos temas do que aplicar improvisos sobre eles. O único problema desse álbum é que ele não varia muito em suas 17 faixas, com temas sempre na mesma velocidade, o que pode entediar a escuta de ouvintes poucos acostumados a ruidagens ousadas. Mas trata-se de um tributo interessante, principalmente considerando que Ornette Coleman é uma das principais inspirações de John Zorn e Tim Berne em termos de linguagem ao saxofone alto.

Dolphy consagrou-se como uma figura única por dar um duplo passo em direção ao free-jazz e, ao mesmo tempo, a um estilo composicional mais refinado e menos “livre”, porém mais estruturado e cerebral, que o dos demais músicos do free. Através do seu estilo único de tocar e compor, em 1964 gravou sua principal obra prima, Out to Lunch (Blue Note), falecendo poucos meses depois. Para quem já ouviu Out to Lunch sabe o nível cerebral a qual o jazz chegou com Eric Dolphy — trata-se de uma obra impossível de ser relida na mesma forma, sem que haja ônus sonoros, tamanha a personalidade do músico impregnada nas peças. Mas o guitarrista e DJ Otomo Yoshihide — improvisador e líder do grupo de avant rock japones Ground Zero — enfrenta e empreitada assim mesmo! Ele junta 15 músicos ambientados na livre improvisação, eletrônica experimental e no avant-rock (Axel Doerner, Alfred Harth, Mats Gustafsson, seus amigos músicos japoneses e etc) para formar a Otomo Yoshihide’s New Jazz Orchestra com a intenção de fazer uma releitura contemporânea das peças do célebre álbum Out to Lunch. A sequência das faixas é a mesma do disco original e curiosamente a capa segue o mesmo layout da capa do LP original artisticamente baseada na escola vanguardista de arte alemã Bauhaus, só que a imagem foi tirada de uma estação de metrô japonesa lotada, exatamente para passar a impressão de caos sonoro. A faixa Gazzelloni, por exemplo, é convertida numa implacável fuzilaria avant-noise jazz digna de um Flying Luttenbachers, e Straight Up And Down, onde a composição original é paulatinamente transformada numa ameaçadora nebulosa de caos eletroacústico. Esse álbum pode ser baixado aqui no Blog Sonora Aurora!

A Orkestrova é um projeto do quarteto de saxofones chamado Rova: uma proposta de música improvisada livre e experimental disposta a trabalhar com várias sonoridades contemporâneas. Este disco traz essa “orquestra” fazendo uma espécie de homenagem e releitura da obra Ascencion, obra-prima que John coltrane gravou em 1965 — inspirado no álbum Free Jazz – A Collective Improvisation de Ornette Coleman, este é considerada um dos primeiros e grandes marcos da improvisação livre orquestral. Aqui a Rova Orquestrova reformula a obra de Coltrane no mesmo âmbito da improvisação coletiva, mas com muita carga experimental. Desde o início do projeto em 2006 o Rova Saxophone Quartet teve a colaboração de músicos como Nels Cline, guitarra eléctrica; Jenny Scheinman, violino; Carla Kilhlstedt, violino e efeitos; Andrea Parkins, acordeão e laptop; Marina Rosenfeld, gira-discos e aparelhos; Trevor Dunn, baixo eléctrico; o veterano Andrew Cyrille na bateria; Fred Frith na guitarra, dentre outros músicos americanos e europeus. O Rova Saxophone Quartet formou-se em 1977 em São Francisco, na mesma época em que foi formado o World Saxophone Quartet, também um quarteto de saxofones com proposta de trabalhar o free Jazz e livre improvisação, mas considerado um pouco menos “aventureiro” em relação ao Rova. Esse nome vém do acrônimo dos próprios nomes dos integrantes: Jon Raskin, Larry Ochs, Andrew Voigt and Bruce Ackley. Assim como o World Saxophone Quartet, o Rova Saxophone Quartet é considerado um dos maiores combos da música pós-moderna: a ousadia em transitar por novos terrenos e trabalhar diversas sonoridades e experimentos, faz com que o quarteto seja considerado, especialmente na Europa, um dos grandes pilares da nova música improvisada. Este álbum é uma viagem cheia de efeitos e nuances!

Dentre todas as obras relidas por Wynton Marsalis, a sua versão da A Love Supreme — obra espiritual de Coltrane, originalmente gravada em 1964 no formato de quarteto — foi a que surtiu mais impacto mediante a critica especializada. Um ano seguinte após seu irmão, o saxofonista Branford Marsalis, lançar um interessante DVD no qual seu quarteto revive a suíte A Love Supreme, Wynton Marsalis recriou a peça num contexto ainda mais ousado: trata-se de uma fantástica transcrição para o formato de big band. Ora, se o fato de Branford Marsalis ter “atualizado” a peça na mesma configuração do quarteto de Coltrane já parecera ousado demais para os críticos (visto que, afora o próprio Trane, apenas David Murray tinha sido capaz de interpretá-la na íntegra em 1999 através de um octeto), o fato de Wynton Marsalis transcrever a peça para o formato de uma big band foi o cúmulo da ousadia para seus detratores. Polêmicas a parte, o inflexível Wynton Marsalis dificilmente lançou um trabalho que parecesse ingênuo ou mal composto. Tanto que antes de reescrever a A Love Supreme, Wynton consultou o próprio Elvin Jones, inovador baterista de Coltrane na época da gravação original. Segundo o próprio Elvin — que até chegou a formar um quarteto com Wynton para apresentar as quatro partes da suíte em festivais em 2004 –, o trompetista e compositor criou de forma genial mais “uma obra prima através da obra prima original”. Realmente, ninguém precisa ser um expert em música para sentir a genialidade na transcrição de Wynton: tanto os solos do próprio trompetista, como os solos de seus sidemans, bem como os arranjos dos metais, deixam claro a grandiosidade deste disco.

Interstellar Space, gravado em dueto — Coltrane no sax tenor e Rashied Ali na bateria — foi um dos últimos álbuns de estúdio gravados pelo mestre antes de sua morte em 1967, sendo só lançado postumamente, pela Impulse! Records em 1974. Trata-se de um clássico da última fase do mestre, essa caracterizada por suas muitas viagens e “estudos” pessoais — um misto de religiões, filosofias, cosmologia, africanismo, protesto em favor dos direitos civis –, bem como por improvisos nervosos ambientados basicamente na estética do free jazz. Mas Interstellar Space — como bem salientou o crítico John McDonough, ao falar da A Love Supreme — apresenta uma característica que foi muito comum em todos os álbuns dessa última fase coltraneana: as composições, os temas, consistem em riffs simples e marcantes, sendo apenas uma base simples para os improvisos torrenciais que viriam a seguir, esses, sim, cerebrais e complexos. Pois bem: foi com o mesmo conceito que a obra foi criada que o guitarrista experimental Nels Cline e o baterista Gregg Bendian aplicaram-lhe esta “releitura”, ou seja, usando apenas os riffs como base para improvisações pessoais, cheias de viagens! Mas há, sim, um “Q” coltraneano nas frases nervosas da guitarra de Cline, ainda que ele não tenha a pretensão de fazer uma releitura idêntica — e o mesmo vale para o baterista Greg Bendian: ele se inspira na bateria nervosa de Rashied Ali, mas isso não soa como uma cópia. Cline, atualmente conhecido guitarrista da banda de indie rock Wilcco e jazzman consagrado pelas revistas Downbeat e JazzTimes, usa e abusa dos muitos efeitos criativos que consegue tirar da sua guitarra. Gregg Bendian atua, além da bateria, com vibrafone e quites de percussão. O álbum é intitulado Interstellar Space Revisited (The Music Of John Coltrane) e foi lançado em 1999, pela Atavistic Records.

http://vagnerpittamagazine.blogspot.com.br/2013/10/o-desafio-de-interpretrar.html

Ravi Coltrane

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Informação geral
Nascimento 6 de Agosto de 1965 (48 anos)
Origem Long Island, Nova York
Gênero(s) Jazz, Post bop
Instrumento(s) Saxofone tenor, Saxofone soprano, Clarinete
Período em atividade 1991 – atualmente
Outras ocupações Saxofonista, Bandleader, Produtor musical
Gravadora(s) Warner Bros / Wea, RCA, Sony, Savoy Jazz
Página oficial http://www.ravicoltrane.com
http://www.rkmmusic.com/

Ravi Coltrane (Long Island, 6 de agosto de 1965) é um compositor, saxofonista e clarinetista de jazz post-bop norte-americano. Co-proprietário da gravadora RKM Music, atua também como produtor musical para artistas como o guitarrista David Gilmore. 1

Biografia
Ravi Coltrane é filho do legendário saxofonista John Coltrane e da pianista de jazz Alice Coltrane. Criado em Los Angeles, seu nome é uma homenagem ao grande sitarista Ravi Shankar. John Coltrane morreu quando Ravi tinha apenas dois anos de idade.

Em 1986, Ravi estudou saxofone no California Institute of the Arts. Trabalhou com Steve Coleman, que o influenciou significativamente. Tocou com McCoy Tyner, Pharoah Sanders, Herbie Hancock, Carlos Santana, Stanley Clarke e Branford Marsalis, entre outros.

Em 1997, depois de participar de mais de trinta gravações como acompanhante, gravou seu primeiro álbum, Moving Pictures. O segundo , From the Round Box, saiu em 2000.

Em janeiro de 2005, Ravi Coltrane tocou na Índia, como integrante da delegação americana de músicos de jazz, em um tour para promover a prevenção da AIDS, juntamente com o cantor Al Jarreau, o guitarrista Earl Klugh e o pianista George Duke. Dentre os espetáculos realizados durante a excursão, inclui-se um concerto em Mumbai, um tributo a Martin Luther King Jr. em Delhi e um festival de música, também em Delhi, organizado pelo violinista L. Subramaniam. Em 18 de janeiro, Ravi Coltrane interrompeu a tournée para tocar no Ravi Shankar Centre, onde encontrou Shankar, e tocaram juntos.2

O Coltrane Quartet tocou no legendário Monterey Jazz Festival 2001, Montreux Jazz Festival 2004, Newport Jazz Festival 2004 e no Vienne Jazz Festival 2005, entre outros eventos.

Discografia selecionada

2005 In Flux Jazz Savoy Jazz
2002 Mad 6 Jazz Sony
2000 From the Round Box Jazz RCA
1998 Moving Pictures Jazz RCA

http://www.ravicoltrane.com/

Ravi Coltrane

O saxofonista norte-americano apresenta seu pós-bop acompanhado do Coltrane Quartet.

Ravi é filho do lendário jazzista John Coltrane e da pianista Alice Coltrane. No início dos anos 1990, tocou na banda Jazz Machine comandada pelo baterista Elvis Jones, integrante do quarteto de seu pai nos anos 60. Para encontrar seu estilo, recebeu influências de Sonny Rollins, Joe Henderson, Branford Marsalis e Wayne Shorter. Após longos anos se apresentando ao lado de nomes consagrados como McCoy Tyner, Pharoah Sanders, Herbie Hancock, Carlos Santana, Stanley Clarke e Branford Marsalis, lançou seu primeiro disco, Moving Pictures, em 1998. Apresentou-se com seu quarteto em importantes festivais de jazz pelo mundo todo, como o Monterey Jazz Festival, o Montreux Jazz Festival e o Newport Jazz Festival. Gravou From the Round Box (2000), Mad 6 (2002), In Flux (2005), Blending Times (2009) e Spirit Fiction (2012).

Nas apresentações, ao lado do Coltrane Quartet, Ravi (saxofone tenor e soprano, clarinete) executa músicas de seu mais recente trabalho, Spirit Fiction.

Teatro. Duração: 1h30. Ingressos à venda pela rede INGRESSOSESC a partir de 01/11, às 14h.

http://www.ravicoltrane.com/

Miles Davis – Biografia

Biografia

O que é ser “cool”? Na sua essência, ser “cool” tem a ver com as novas tendências. Na cultura popular as novas tendências é um caleidoscópio que contém o passado, o presente e o futuro: Este caleidoscópio é feito do que foi “cool” no passado, e o que pode ser “cool” no futuro. Esta qualidade intemporal, quando aplicada ao mundo da música, reduz-se a um pequeno número de figuras que tendo sido “cool”, serão “cool” para sempre.

Durante cerca de seis décadas, Miles Davis personificou tudo o que significa ser “cool” – na sua música (e mais especialmente no seu jazz), na sua arte, moda, romance e na presença internacional que se faz sentir ainda hoje. 2006 – O ano em que Miles Davis entrou para o Rock and Roll Hall of Fame é um ano marcante, que celebra os 80 anos do seu nascimento a 26 de Maio de 1926, e o décimo quinto aniversário da sua morte a 28 de Setembro de 1991. Entre essas duas datas existe mais de meio século de brilhantismo, integridade artística e inovação que transcendem a figura do homem.

Construindo um caminho que sempre pareceu ter algo de missão, Miles Dewey Davis III- músico, compositor, produtor e “band leader”- esteve sempre no local certo, no tempo certo, outro dos aspectos distintivos de “cool”. Nascido em Alton, Illinois, e crescendo em no Este de St. Louis, onde o seu pai era dentista, MIles recebeu a sua primeira trompete aos 13 anos.

Miles Davis foi uma criança prodígio, cuja mestria da trompete se acelerou quando começou a ficar sob o feitiço de nomes como Clark Terry, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Billy Eckstine, e outros grandes homens de jazz que o influenciaram. Miles entrou na escola Juiliard em 1944, mas apenas como uma desculpa para ir para Nova Iorque e poder chegar perto de Bird e Diz. Aos 18 anos.

Em apenas um ano conseguiu o seu objectivo. Pode ser ouvido em sessões conduzidas por Charlie Parker, lançadas em 1945 (com Max Roach), 1946 (com Bud Powell), 1947 (com Duke Jordan e J.J. Johnson) e 1948 (com John Lewis). Em 1947, os Miles Davis All Stars (com Bird, Roach, Lewis e Nelson Boyd) estreiam-se na Savoy Records. Os seus anos na Rua 52, durante a segunda parte dos anos 40 trouxeram Miles para a orbita de músicos cujas lendas, ele partilharia antes de ter 25 anos.

No virar da década de 50, enquanto Miles liderava as suas primeira pequenas bandas, uma associação com Gerry Mulligan e o produtor Gil Evans, fez nascer The Birth of Cool, um movimento que desafiava o domínio do bebop e do hard-bop. Os próximos trabalhos de Miles no inicio dos anos 50 (Blue Note e Prestige) ajudaram a lançar músicos como Sonny Rollins, Jackie McLean, Horace Silver e Percy Heath, entre muitos outros, fazendo de Miles o grande descobridor de talento no Jazz durante o resto da sua carreira.

Um passo histórico foi dado no Newport Jazz Festival em 1955, quando George Avakian levou Miles Davis para a Columbia Records, o que levou à formação do chamado “ primeiro grande quinteto”, com John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones (em Round About Midnight Sessions). Os 30 anos de carreira de Miles na Columbia foram um dos mais longos contratos de exclusividade na história do Jazz, e que gerou, pelo menos, seis grandes mudanças na música – Virtualmente todas antecipadas ou lideradas por Miles Davis ou pelos seus músicos.

Durante esses 30 anos, trabalhar com Miles Davis definiu “quem é quem” na história do jazz. Kind of Blue, indisputadamente o álbum de jazz mais “cool” alguma vez gravado, foi feito em 1959 com a participação de Coltrane, Chambers, Cannonball Adderley, BIll Evans e Jimmy Cobb – que permaneceram juntos até 1961.

Depois de tocar com músicos como Hank Mobley, Wynton Kelly, Victor Feldman e George Coleman, o “segundo grande quinteto”, formou-se por volta de 1963 e 1964, incluindo Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Cárter e Tony Williams ( que tinha apenas 17 anos quando se juntou a Miles). Gravaram com o produtor Teo Macero e andaram em tour por todo o mundo até 1968, conseguindo sucesso artístico e comercial sem precedentes na história do Jazz moderno.

1968 foi um ano de cataclismos sociais para os Estados Unidos e para Miles Davis, o escalar da guerra no sudeste Asiático, o assassinato de Martin Luther King e Robert Kennedy e a subida de influência do movimento Black Power, foram alguns dos factores que direccionaram a musica de Miles para um som mais eléctrico. Miles começava a ser influenciado também pela musica de James Brown, Jimmy Hendrix e Sly Stone. O que começou em 1968 com a adaptação do quinteto de Miles Davis a adoptar o piano e guitarra eléctricos, explodiu num som de banda Rock no álbum de ruptura Bitches Brew ( que levou Miles à capa da Rolling Stone. Foi o primeiro “jazzmen” a fazer capa desta revista).

Nas sessões de Bitches Brew, cujas gravações tiveram lugar uma semana após o festival de Woodstock em Agosto de 1969, estava um grupo de músicos conhecidos como “o terceiro grande quinteto” – Shorter, Chick Corea, Dave Holland, Jack deJohnette – havendo também as participações de John McLaughlin, Larry Young, Joe Zawinul, Bennie Maupin, Steve Grossman, Billy Cobham, Lenny White, Don Alias, Airto Moreira, Harvey Brooks e os ex-membros do quinteto,Hancock e Carter.

Seis meses mais tarde, em Fevereiro de 1970, Miles começou com as Jack Johnson sessions. Trabalhando com os músicos referidos anteriormente e ainda com Sonny Sharrock, Steve Grossman, Michael Henderson, Keith Jarret e outros. O movimento de fusão entre o Jazz e o Rock estava lançado sem margem para dúvidas, e o espírito de Miles Davis permeava as três bandas que dominavam os palcos – Weather Report, Return to Forever e The Mahavishnu Orchestra.

Este novo som, de alta energia que se estendia ao Funk e R&B, teve uma breve baixa de popularidade que coincidiu com um período de problemas de saúde no inicio dos anos 70. Miles, deu o seu ultimo concerto em 1975 no Central Park Music Festival nesse Verão.

Miles reapareceu mais forte que nunca em 1981 com The Man With The Horn, com um alinhamento de jovens músicos: Mike Stern, Marcus Miller, Bill Evans, Al Foster e Mino Cinelu (Todos viriam a ter carreiras de sucesso). Foi o primeiro LP de Miles a chegar ao Billboard Top 50 desde Bitches Brew, e a banda foi gravada ao vivo para o seguinte LP Duplo We Want Miles. O grupo manteve-se estável até Star People em 1983. Depois a composição mudou no álbum Decoy de 1984, quando Miller foi substituído por Daryll “Munch” Jones, Robert Irving III acrescentou sintetizadores e programação, e Branford Marsalis partilhou o saxofone com Evans.

O último álbum de Miles Davis para a Columbia Records saiu em 1985 com o título You’re Under Arrest. Apresentou ao mundo o sobrinho de Miles Vince Wilburn que se juntou ao grupo de músicos que gravitavam em redor de Miles. Neste álbum estão duas baladas que marcarão a carreira de Miles Davis: “Human Nature” de Michael Jackson e “Time after Time “ de Cindy Lauper.

No ano seguinte, Miles começou a gravar para a Warner Bros., um período prolífico, pontuado por um álbum por ano ( os primeiros 4 co-produzidos com Marcus Miller): Tutu (1986) , Music from Siesta ( 1987), Live Arround The World ( 1988), Amandla (1989), Dingo(1990), e o seu ultimo álbum de originais, Doo-Bop (1991) , cujo tema de titulo deu a Miles um sucesso póstumo como single de Rap/R&B em 1992.

“Miles Dewey Davis III – trompetista, visionário e eterno modernista – foi uma força da natureza” escreveu Ashley Khan ( autor de Kind of Blue: the Making of Miles Davis masterpiece, DaCapo, 2000) no jantar do Rock and Rolll Hall of Fame. “Com um ouvido que não conhece categorias de estilo, ele procurou novos universos musicais, e levou gerações na sua pegada. Enquanto a centelha criativa de muitos músicos se esgota na sua juventude, Miles Davis teve sempre desejo de explorar novos limites nos seus 65 anos de carreira. Tinha de ser novo, ou esquecer”.

Para lá da sua postura de desafio, do seu olhar penetrante, das suas conquistas amorosas e de uma posição de vanguarda no mundo da moda – haverá sempre uma verdade universal – A musica de Miles Davis.

http://www.milesdavis.com/pt/biografia

JONATHAN KREISBERG

JONATHAN KREISBERG
Shadowless
New For Now Music

https://sites.google.com/site/jazzxxiproject/CRITICAS/johnathan-kreisberg-shadowless

Will Vinson (sax alto)
Jonathan Kreisberg (guitarra)
Henry Hey (piano)
Matt Penman (contrabaixo)
Mark Ferber (bateria)

Com raízes no rock, Jonathan Kreisberg acabou por abandonar a distorção e as guitarras Stratocaster, optando pelo som límpido e fluido permitido por uma Hollow Body e com isso optando também, definitivamente, pelo jazz. E ainda bem que o fez. Se os seus primeiros álbuns nos apresentaram alguns sinais de talento, de um músico ao qual parecia valer a pena ir prestando alguma atenção, o facto é que, a partir de certa altura, os méritos de cada seu novo disco passaram muito simplesmente a ultrapassar os do anterior, confirmando por completo a promessa deixada nos seus primeiros passos. Quero, pois, por esta ordem de ideias, apontar este álbum como o seu melhor trabalho até à data, sendo a substituição do pianista Gary Versace por Henry Hey o único aspecto menos positivo relativamente aos anteriores South of Everywhere (Mel Bay, 2007) e Night Songs (Criss Cross, 2009).

Divergindo do ambiente enevoado que caracterizava a leitura de uma série de standards em Night Songs, o guitarrista ambiciona para este novo registo um ambiente mais ensolarado (bem expresso no próprio título do disco) e, nas palavras do próprio, uma música de forte impacto, capaz de acordar as pessoas. Ora o álbum é, em qualquer daqueles sentidos, um verdadeiro sucesso, um triunfo que fica a dever-se também à ênfase em fortes originais do guitarrista (sendo o tema de encerramento – uma leitura muito straight-ahead, mas não sem algumas notáveis engenhocas rítmicas, de “Nice Work if You Can Get it”, o único standard aqui presente) e ao facto de a união musical entre Kreisberg, Matt Penman e Mark Ferber se ter agora tornado perceptivelmente mais forte do que nunca.

O saxofonista Will Vinson (igualmente presente em South of Everywhere) apresenta aqui o melhor conjunto de prestações que dele pude até hoje ouvir, chegando por vezes a soar-me como um Donny McCaslin do alto. Não obstante a inevitável (e desfavorável) comparação com Gary Versace, o pianista Henry Hey nunca chega a desgraçar-se e muito menos a desgraçar quem quer que seja, servindo a música da melhor maneira ao longo de todo o disco. Se o seu duo com o guitarrista na faixa-título acaba por representar um dos momentos menos empolgantes do álbum, ficamos disso compensados com as suas fogosas improvisações no tema seguinte, uma peça de forte inspiração árabe que dá pelo nome de “Zembékiko” – a verdade é que se o tema propriamente dito não me enche as medidas, as secções improvisadas por Kreisberg, Vinson e Hey fazem com que cinco dos sete minutos da sua duração mereçam ser ouvidos com muita atenção. Segue-se uma interessante e sentida balada e, mais próximo do final, a apreciável energia de “Defying Gravity” – um título que fala por si…

Mas deixei para o final aquilo que me mais me encantou neste disco, que são exactamente as duas faixas – “Twenty One” e “Stir the Stars” – com que Kreisberg, provavelmente a pensar no tal impacto que queria imediato, fez questão de programar o seu início. Se tudo aqui fosse tão bom como nessas duas primeiras faixas, estaríamos perante uma modesta obra-prima de um jazz despretensioso mas rebuscado, directo mas nem por isso óbvio, acessível mas cheio de desafios sob o ponto de vista da improvisação e da constante criatividade rítmica para que tanto contribui a excelência do baterista Mark Ferber.

Paulo Barbosa

Jeff Beck – Truth

Ele é considerado o “guitarrista dos guitarristas”, o maior de todos, ainda que a história o tenha eclipsado por Jimi Hendrix, Jimmy Page, Eric Clapton etc… Mas Beck segue sendo um dos grandes músicos de todos os tempos e tem um legado imenso, que começou no Yardbirds (onde substituiu o amigo Eric e tocou junto com o jovem Page), até começar uma carreira-solo irregular, com poucos discos. Mas entre uma fase e outra, Beck montou um grupo fantástico com dois jovens então desconhecidos – Ron Wood e Rod Stewart – e fez um dos mais importantes álbuns dos anos 60: Truth.

Pouca gente sabe que Geoffrey Arnold “Jeff” Beck é um das grandes lendas do instrumento.

Beck foi um dos três guitarristas lendários do Yardbirds, ao lado de Eric Clapton e Jiimy Page, embora os três não tenham sido integrantes ao mesmo tempo.

Mas Jeff sempre foi um músico de uma técnica exuberante, criativo e que poderia ter feito muito mais sucesso não fosse dono de uma personalidade fortíssima e pouco simpático às pressões comerciais.

Natural de Wallington, veio ao mundo no dia 24 de junho de 1944, Jeff adorava ouvir sua mãe Ethel tocar piano em casa, além de ouvir as músicas do rádio, que vivia constantemente ligado.

“Para meus pais, que viviam o período da guerra, a música era uma espécie de conforto. A vida era muito dura e a música os ajudava a esquecer os problemas. E isso, certamente, me influenciou muito. Quando garoto, me lembro de ficar ouvindo jazz pelo rádio, quando o estilo explodiu na Inglaterra. Eu passava horas e horas ouvindo, embora meus pais desaprovassem meu hábito.”

O jovem Geoffrey fazia parte do coral da igreja aos 10 anos e ainda adolescente aprendeu a tocar violão com um instrumento emprestado. Como não tinha dinheiro para comprar um, o garoto tentou construir o seu, inúmeras vezes. Jeff era fascinado pela guitarra elétrica, especialmente de seu ídolo Brad Kinnison, guitarrista-solo do Gene Vincent and the Blue Caps. Outras grandes influências foram Chuck Berry e Steve Cropper.

Aos 20 anos, ele já tinha certeza absoluta que a música seria sua vida e resolveu se mudar para Londres e tentar a sorte com tantos outros jovens.

Enquanto dava os primeiros passos, foi estudar na Wimbledon’s Art College, pois não estava totalmente certo das suas habilidades. Jeff fez de tudo um pouco: foi pintor, deocrador e através de sua irmã conheceu um outro jovem igualmente talentoso chamado Jimmy Page.

Aos poucos foi se tornando músico de estúdio e tocou com o Screaming Lord Sutch e o Trident.

A sorte começou a virar em março de 1965 quando Eric Clapton deixou os Yardbirds, irritando com a banda, que perseguia um caminho mais comercial, especialmente por causa do single “For Your Love”.

Assim, indicado pelo amigo Page – que ainda não era membro do grupo. Era sorte grande.

Ao entrar no grupo, Jeff mudou o rumo do grupo, abandonando um pouco a fase mais purista do blues e levou o grupo de encontro ao psicodelismo que começava a tomar conta da cena inglesa. Seu primeiro concerto no novo grupo aconteceu dois dias após a saida de Clapton.

Em agosto daquele mesmo ano, a banda faz a primeira excursão norte-americana – seriam ainda mais três – e um grande álbum em 1966, Yardbirds, conhecido na América como Roger the Engineer, lançado em abril.

Extremamente talentoso, Jeff inovou em áreas quase inéditas, revolucionando o uso do fuzz tone, feedback e distorção. Não por acaso foi eleito o músico inglês pela revista Beat Instrumental.

O grupo chegaria a participar do filme Blow-up, do cineasta Michelangelo Antonioni. Logo após o lançamento, o baixista Paul Samwell-Smith deixa a banda para começar uma carreira como produtor. Em seu lugar entra o jovem Jimmy Page. Page se tornou baixista por um tempo, até que o outro guitarrista, Chris Dreja aprendesse a usar o instrumento. Tão logo isso ocorreu, o Yarbirds era premiado com uma dupla genial de guitarristas: Beck e Page.

O Yardbirds começa uma turnê abrindo shows para os Rolling Stones e lançam singles elaborados. Um exemplo é “Happenings Ten Years Time Ago”, que contava com um excelente baixista, então desconhecido: John Paul Jones.

Beck e Page, porém, gravaram pouco na banda e Jeff acaba sendo demitido no Texas, em outubro de 1966.

O temperamento forte, o perfeccionismo e o fato dos outros músicos – exceção a Page – não conseguirem executar o que ele queria, o deixavam frustrado e enfurecido. Para piorar, os instrumentos utilizados nos shows, nem sempre eram de boa qualidade, o que o irritava ainda mais.

Após deixar o Yardbirds, Beck voltou para Londres e foi contatado pelo empresário Mickie Most para montar um novo grupo.

Most queria que Beck começasse uma nova banda com um jovem cantor, totalmente desconhecido, mas com um timbre único: Roderick David Stewart, ou simplesmente Rod Stewart, um londrino nascido em 10 de janeiro de 1945, e que havia dado os primeiros passos como vocalista do Steampacket e do Long John Baldry, além de alguns compactos lançados pela Decca e Immediate Records.

Jeff não conhecia Rod e se encontraram pela primeira vez em um clube em Cromwellian. Junto com Rod Stewart veio um outro guitarrista, Ronnie Wood (Ronald David Wood, nascido no dia 1º de junho de 1947, em Londres) e que já havia passado por um grupo de nome The Birds (não confundir com o californiano The Byrds), grupo de curta existência (aproximadamente entre 1964 até 1967), onde Ronnie escreveu algumas músicas.

O primeiro baixista a ser testado foi Jet Harris, do Shadows, de quem Beck gostava.

Mas os primeiros ensaios mostraram que ele não era o músico que procuravam.

Outro tentado foi Dave Ambrose, igualmente um fracasso.

A solução acabou se tornando caseira, com Ronnie assumindo a função, após roubar um Fender Jazz Bass, em uma loja no West End londrino. Reza a lenda que anos depois, Ron adentrou na mesma loja e pagou pelo instrumento.

O primeiro baterista foi Ray Cook e os primeiros shows foram infernais. Em uma apresentação, a banda teve os amplificadores desligados.

Na mesma noite, se apresentariam o Small Faces. Outros bateristas passaram pelo grupo, como o renomado e extremamente versátil Aynsley Dunbar, que não se encaixava no som que Beck desejava.

Jeff só sossegou quando encontrou o baterista Mick Waller. “Ele não tinha a atitude ‘heavy metal’ que eu buscava, mas era muito bom, muito técnico e com classe. Começamos a cair na estrada como um quarteto, embora no estúdio tivéssemos a companhia de Nicky Hopkins (tecladista). Mas nas apresentações éramos nós quatro que fazíamos todo o ‘trabalho sujo'”.

Enquanto montava a banda, Jeff levava uma vida “dupla”, pois tinha lançado um compacto solo – Hi Ho Silver Lining -, que trazia “Beck’s Bolero”, no lado B e chegou a ficar na 14ª posição na parada britânica.

A banda das gravações consistia em no baterista Clem Cantini, no baixista Mick Ambrose e tinha a produção de Mickie Most.

Jeff vivia angustiado, pois odiava a imagem do compacto e tinha medo de ser eternamente lembrado como o menino bonito que tinha um lenço rosa em volta do seu pescoço. Por outro lado, Mickie Most não queria saber do novo grupo de Beck. “Eu assinei com um cantor e não com uma banda que tem um cantorzinho”, dizia Most, enquanto Beck só queria uma banda onde pudesse tocar alto e cada vez mais potente.

Para desespero de Jeff, a Columbia ouvia os primeiros registros do grupo e dizia “grande cantor, Jeff. Mas quem é esse na guitarra?”. Beck temia, e com razão, que Rod rapidamente sumisse do grupo, já que era apenas um empregado.

Enquanto se sentia perdido, foi salvo por um empresário que se tornaria lendário nos anos 70: Peter Grant, o mesmo que fez do Led Zeppelin, a maior banda dos anos 70.

Peter acolheu Jeff e disse para abandonar a carreira-solo, Mickie Most e ir para a América, para fazer dezenas de shows, onde havia milhares de pequenos clubes e assentos para serem preenchidos.

Em 1968 entram em estúdio para a gravação do primeiro álbum, Truth. O disco é um marco em vários aspectos, embora tenha falhado em outros.

Produzido igualmente por Mickie Most e tendo Ken Scott como engenheiro de som – anos depois Ken usaria todos os truques aprendidos nessas sessões com o guitarrista Mick Ronson, nos primeiros álbuns deste com David Bowie – Truth é um tremendo disco que misturava blues, hard, heavy metal e até alguns detalhes do que viria a ser o rock progressivo.

O grande problema do álbum era a falta de grandes composições dos próprios integrantes: embora Rod fosse um bom compositor, suas músicas tinham um sabor mais folk, totalmente inapropriado para o som. Beck também não conseguia escrever muitas coisas e o grupo acabou gravando um fabuloso disco de covers.

O álbum trazia as seguintes faixas:

Lado A

1. “Shapes of Things” 3:22 (Chris Dreja, Jim McCarty, Keith Relf, Paul Samwell-Smith)
2. “Let Me Love You” 4:44 (Jeff Beck. Rod Stewart)
3. “Morning Dew” 4:40 (Bonnie Dobson, Tim Rose)
4. “You Shook Me” 2:33 (Willie Dixon, J. B. Lenoir)
5. “Ol’ Man River” 4:01 (Jerome Kern, Oscar Hammerstein)

Lado B

1. “Greensleeves” 1:50 (Traditional, arranged by Jeff Beck)
2. “Rock My Plimsoul” 4:13 (Jeff Beck, Rod Stewart)
3. “Beck’s Bolero” 2:54 (Jimmy Page)
4. “Blues De Luxe” 7:33 (Jeff Beck, Rod Stewart)
5. “I Ain’t Superstitious” 4:53 (Willie Dixon)

O álbum fez um bom sucesso, chegando ao 15º posto nos EUA, mas algumas composições ficaram esquecidas, como é o caso da versão de “You Shook Me,” pois seis meses depois, o Led Zeppelin fez uma versão bem mais pesada em seu álbum de estréia.

Truth abre com uma antiga canção dos Yardbirds, “Shapes of Things”, onde Rod começa a mostrar ao que veio.

Com seus vocais rasgados (o próprio descreveu como uma lixa sendo passada em veludo). A segunda é uma composição de Rod e Jeff, o blues “Let Me Love You”, passando pela balada “Morning Dew”.

Segue-se “You Shook Me” e “Ol’ Man River”, onde Beck toca baixo e John Paul Jones brlha no órgão e Keith Moon faz uma aparição tocando timpani, atrás dos vocais de Rod.

O lado B abre com a tradicional “Greensleeves”, gravada por gente como John Coltrane, com Jeff brilhando no violão, ao melhor estilo Chet Atkins. Jeff era grande fã de Chet e quando mostrou a versão a Most, o produtor adorou e decidiram incluí-la.

O blues volta com força em “Rock My Plimsoul”, outra composição de Rod e Jeff, improvisada em cima de “Rock Me Baby”, de B.B. King.

A seguir vem uma composição de Jimmy Page em homenagem ao seu amigo, ainda nos tempos de Yardbirds, “Beck’s Bolero”, feita uma sessão com Nicky Hopkins, John Paul Jones e um demente Keith Moon na bateria.

“Eu ficava espantando com Keith, parecia que queria demolir o kit inteiro. Puro heavy metal!”.

O disco traz outra composição da dupla Rod-Jeff, “Blues De Luxe” (novamente chupando B.B, desta vez em “Gambler’s Blues”) e fecha com outro clássico de Willie Dixon, “I Ain’t Superstitious”.

Em 2006, o disco foi editado em CD com várias faixas bônus, trazendo, inclusive, os compactos solos de Jeff Beck, como “Tallyman” e “Hi Ho Silver Lining”:

Faixas:

1. “Ive Been Drinking” Stereo mix – B-Side of “Love is Blue” single (3:25) (Mercer, Tauber)
2. “You Shook Me” Take – minus piano overdub (2:31) (Willie Dixon, J. B. Lenoir)
3. “Rock My Plimsoul” – Faster tempo take, B-Side of “Tallyman” single (3:42) (Jeff Beck, Rod Stewart)
4. “Beck’s Bolero” Mono Mix with backwards guitar ending (3:11) (Jimmy Page, Jeff Beck, uncredited)
5. “Blues De Luxe” Take 1 (7:33) (Jeff Beck, Rod Stewart)
6. “Tallyman” 1967 Single A-side (2:46) (Graham Gouldman)
7. “Love is Blue” (2:57) Single A-side (Popp, Cour, Blackburn)
8. “Hi Ho Silver Lining” (3:46) (Scott English, Lawrence Weiss)

O grupo ainda gravaria outro disco – Beck-Ola – antes de se desfazer. Mas isso é papo para outro dia. Um abraço e até a próxima coluna.

Discografia

Truth (1968)
Beck-Ola (1969)
Rough and Ready (1971)
Jeff Beck Group (1972)
Beck, Bogert & Appice (1973)
Live in Japan (1974)
Blow by Blow (1975)
Wired (1976)
Jeff Beck With the Jan Hammer Group Live (1977)
There and Back (1980)
Flash (1985)
Jeff Beck’s Guitar Shop (1989)
Beckology (1991)
Frankie’s House (1992)
Crazy Legs (1993)
Best of Beck (1995)
Who Else! (1999)
You Had It Coming (2001)
Jeff (2003)
Live At BB King Blues Club (2006)
Performing This Week…Live At Ronnie Scotts (2008)

Resenha – Beck-Ola – Jeff Beck

Que Jeff Beck é reconhecido por seu experimentalismo, ousadia, teimosia, ego inflado, genialidade e por ser um encrenqueiro de primeira, não é novidade pra ninguém. Hoje ele enfrenta a crise da modernidade e lança trabalhos que não condizem com sua qualidade como compositor e sua verdadeira faceta de gênio musical.

Mas deixando isso de lado, vamos voltar a 1969, quando o Jeff Beck Group estava lançando, com Rod Stewart nos vocais e Ron Wood no baixo, uma de suas mais maravilhosas obras, e um dos muitos marcos deixados na história por Beck e sua trupe. O segundo disco do grupo, Beck-Ola é realmente maravilhoso, assim como o primeiro, Truth. Bons tempos em que Beck arrebentava e fazia todos se deliciarem com suas ousadias na Strato. O lema para se apreciar Jeff era muito simples: espere o inesperado. Sempre temperando seu som com os mais diversos tipos de sons e riffs, Jeff gostava de reinventar tudo, e vivia reescrevendo as regras do blues a sua maneira peculiar e geniosa.

O disco já começa quebrando tudo com a excelente versão do eterno rei Elvis para “All Shook Up”. Repare nos vocais agudos e rasgados de Rod Stewart e nos riffs geniosos de Beck que rompiam com as estruturas e dava um novo tratamento ao rock n’ roll na época. Simplesmente sensacional, Beck é um gênio, somente comparado com Jimi Hendrix, outro verdadeiro gênio do instrumento. A seguir, a bolacha continua com um riff pesado para a época e mais riffs e solos matadores de Beck na excelente “Spanish Boots”, tudo temperado com um instrumental fora de série.

A seguir, a maravilhosa “Girl From Mill Valley”, com seu instrumental impecável dá o toque jazzístico no disco, com seu maravilhoso piano. A seguir, os caras quebram tudo novamente com outra cover do rei Elvis, “Jailhouse Rock”, onde Beck brilha com seus riffs fantásticos, podendo ser comparados somente com a genialidade de um Hendrix, ambos dois monstros da guitarra na época.

A seguir o genial blues “Plynth (Water Down The Drain)”, com um arranjo de tirar o fôlego e uma guitarra matadora e com muito feeling de El Becko. Ah, se Beck tivesse imortalizado seu legado somente por esses trabalhos geniais, até o Beckology, ao invés de querer virar clubber anos depois! É só uma opinião, mas é somente por isso que considero Hendrix maior do que Beck, apesar de ambos serem geniais.

A bolacha segue com mais um blues, “The Hangman’s Knee”, excelente arranjo da banda, e mais uma vez com uma guitarra genial e viajante.

O disco termina com a porrada “Rice Pudding”. Uma curiosidade é que Hendrix chupou os riffs dessa música de Beck. É só compará-la com “In From The Storm” de Hendrix, para ver a chupação de riffs no final da música. Claro que não condeno Hendrix por isso, afinal de contas ele e Beck se equiparam em genialidade, mas é evidente a referência.

Resumindo, um disco genial e histórico, de cabeceira mesmo, do JBG que estava no ápice de sua fama e criatividade. Obrigatório para todos aqueles que querem descobrir os grandes gênios da guitarra de todos os tempos, em particular esse grande gênio que influenciou várias gerações de guitarristas e continua influenciando.

Esperamos sinceramente que Jeff, mesmo já sendo um Sr. nos dias de hoje, possa voltar a fazer grandes criações como essa e deixar esse lance techno e hip-hop horroroso de lado.

Fonte: Resenha – Beck-Ola – Jeff Beck http://whiplash.net/materias/cds/003531-jeffbeck.html#ixzz2gpEGBQ7f

Jason Becker

Jason Eli Becker (Richmond – CA, 22 de Julho de 1969) é um guitarrista neo-clássico americano que ganhou fama aos 16 anos como virtuoso.

Seu pai, Gary Becker, que tinha estudado violão erudito, lhe deu uma guitarra quando ele tinha apenas 3 anos de idade, e começou a lhe dar aulas. Jason passou a praticar músicas de Bob Dylan, Eric Clapton, Jeff Beck e Eddie Van Halen, entre outros. Jason praticava durante horas a fio, e estudou a obra de Niccolò Paganini.

O Cacophony
Jason conheceu Marty Friedman, e os dois se tornaram amigos rapidamente, pois compartilhavam das mesmas preferências musicais. Sob a produção de Mike Varney eles montaram a banda Cacophony, que gravou dois álbuns: Speed Metal Symphony, em 1987, e Go Off!, em 1988. Ele também lançou um álbum solo, Perpetual Burn, em 1988.

O Cacophony excursionou por vários países, notadamente no Japão e na Europa, onde Jason foi formando uma legião de fãs e admiradores, ao mesmo tempo em que influenciava jovens guitarristas.

A fatalidade
Aos 20 anos, Becker foi convidado para a banda de David Lee Roth para substituir Steve Vai, que havia deixado o grupo. Ele começou a gravar o álbum A Little Ain’t Enough em 1990 e ganhou o prêmio de “guitarrista revelação” da revista Guitar Magazine.

O futuro da carreira de Jason parecia não ter limites, graças ao seu reconhecimento como guitarrista. As coisas iam cada vez melhores até que, ainda durante as gravações de A Little Ain’t Enough, ele começou a mancar da perna esquerda, alegando fraqueza. Por um tempo, Becker ignorou o problema, mas após pressão de seus amigos e familiares, ele foi ao médico, que pediu exames mais profundos. Constatou-se, então, a manifestação da Doença de Lou Gehrig, também conhecida como ALS — esclerose lateral amiotrófica — uma doença degenerativa e incapacitante – ainda sem cura. Embora Jason tivesse concluído, já com algum esforço, as gravações do álbum, ele não estava mais em condições de sair em turnê com a banda.

No decorrer dos anos, Jason foi perdendo os movimentos do corpo, primeiro das pernas, depois braços – obrigando-o a parar de tocar guitarra – e por fim a fala. A ALS não atingiu seu cérebro e nem sua audição ou visão, mantendo-o portanto plenamente lúcido e capaz de observar e ouvir tudo, ainda que esteja “aprisionado” em seu próprio corpo. Sua condição de deterioração estabilizou-se em 1997. Atualmente, Jason respira com a ajuda de um aparelho que controla o funcionamento de seu diafragma e comunica-se através de um sistema desenvolvido por seu próprio pai, Gary, que dividiu as letras do alfabeto em grupos de quatro, numa tela, onde Jason direciona seus olhos, formando palavras.1 .

O mito
Apesar de paralisado, incapaz de falar ou de tocar, Jason não desistiu de sua paixão pela música. Em casa, Jason continuou compondo e gravando em seu estúdio particular. Com o auxílio de um programa de computador, ainda consegue compor músicas. Foi dessa forma que ele lançou o álbum Perspective, em 1996. Jason ainda dá entrevistas e é muito bem-humorado, sendo assessorado por seus pais.

Vários tributos foram lançados em homenagem a Jason Becker, e ele é admirado e idolatrado por muitos fãs, inclusive famosos. Músicas como Altitudes e Serrana são freqüentemente usadas como peças de estudo por guitarristas.

Discografia
Speed Metal Symphony — 1987 (com o Cacophony)
Go Off! — 1988 (com o Cacophony)
Perpetual Burn — 1988
A Little Ain’t Enough — 1991 (com David Lee Roth)
Perspective — 1996
The Raspberry Jams — 1999
The Blackberry Jams — 2003
Collection — 2008
Boy Meets Guitar — 2012

Documentário
Em 2012, o diretor Jesse Vile lançou um documentário sobre a trajetória de Becker, intitulado Jason Becker: Not Dead Yet, onde reuniu diversos amigos e familiares de Jason para contar sua história, desde a infância, sobre o nascimento da paixão pela música, a revelação do talento, o sucesso, a manifestação da ALS e a batalha que Becker travou com a doença, para manter-se vivo2 .

Dirty Rotten Imbeciles

Dirty Rotten Imbeciles, ou simplesmente D.R.I., é uma banda de thrashcore/crossover thrash formada em 1982, no Texas, nos Estados Unidos.

Inicialmente era uma banda de hardcore/punk, e ao longo dos anos foi incorporando elementos do thrash metal no som, sendo considerados um dos pais do Crossover, a fusão do hardcore com o metal.A banda recebeu esse nome (Sujos, Podres e Imbecis em português) por causa do pai dos irmãos Kurt e Eric Brecht, apelidado de The Madman por eles. A banda sempre que ensaiava na casa dos irmãos, Mr. Madman mandava parar com o ensaio insultando-os com o futuro nome da banda. Eles inicialmente chamavam-se U.S.D.R.I mas logo depois simplificaram para D.R.I.

Em 1987, a banda lança o álbum Crossover, com músicas mais longas e elaboradas que os álbuns anteriores, sendo esse álbum o pioneiro, mais importante e influente no estilo crossover thrash.

A banda teve várias formações diferentes, só permanecendo o vocalista Kurt Brecht e o guitarrista Spike Cassidy e lançou 7 álbuns e fez turnês no mundo inteiro com bandas como Dead Kennedys, Slayer (a banda credita o D.R.I como uma das suas maiores influências),Ratos de Porão e chegou a tocar duas vezes no Brasil e faz shows esporadicamente hoje em dia.

Recentemente, o guitarrista Spike Cassidy foi diagnosticado com câncer no colon, interrompendo uma longa turnê que a banda pretendia fazer. Mas agora, o guitarrista está reucuperado e a banda promete novidades.

A banda teve os álbuns Dirty Rotten LP, Crossover e 4 of a Kind lançados no Brasil no formato vinil no final dos anos 80, pelo selo Eldorado.

O D.R.I se apresentou no Brasil em 2011: Dias 13 de abril em Curitiba, no Hangar Bar,dia 14 de abril no Rio de Janeiro, Teatro Odisséia e no dia 15 abril em Recife, no Festival Abril Pro Rock junto com o Misfits, no dia 16 de abril em Belo Horizonte, no Music Hall e dia 17 de abril em São Paulo, no Carioca Club.

Formação Atual
Spike Cassidy – guitarra (1982-presente)
Kurt Brecht – vocal (1982-presente)
Rob Rampy – bateria (1990-presente)
Harald Oimoen – baixo (1999-presente)

Membros Anteriores
Dennis Johnson – baixo (1982-1983)
Sebastion Amok – baixo (1983)
Josh Pappe – baixo (1984-1985) (1985-1989)
Mikey Offender – baixo (1985)
John Menor – baixo (1989-1994)
Chumly Porter – baixo (1994-1999)
Eric Brecht – bateria (1982-1984)
Felix Griffin – bateria (1985-1990)

Discografia
EP’s[editar]Dirty Rotten EP (1982)
Violent Pacification (1984)
Álbuns de estúdio[editar]Dirty Rotten LP (1983)
Dealing With It (1985)
Crossover (1987)
4 of a Kind (1988)
Thrash Zone (1989)
Definition (1992)
Full Speed Ahead (1995)

Ao Vivo
D.R.I Live (1994)
Live At CBGB’s 1984 (2005)
Coletânea[editar]Greatest Hits (2001)

Videografia
Live At CBGB’s 1984 (VHS, 1984)

Outras coisas
O Slayer tocou a música Violent Pacification no álbum de covers, Undisputed Attitude.
A banda quando veio ao Brasil a primeira vez, foi testemunha de uma grande confusão envolvendo as bandas Sarcófago e Ratos de Porão.
A banda foi uma das pioneiras em ter uma pagina na internet.
O vocalista Kurt Brecht cantou em uma das músicas do projeto de heavy metal do músico Dave Grohl chamado Probot.
Em 2002, saiu um tributo a banda chamado DRI Tribute We Don’t Need Society com bandas como Ratos de Porão, Deceased, Holy Moses e Electric Frankenstein.